segunda-feira, 27 de julho de 2009

Paciência e Persistência - crítica filme "De porta em porta"

Foi com essas duas virtudes ensinadas pela mãe que Bill Porter (William H. Macy) mostrou do que era capaz. Em “De Porta em Porta” (Título original no inglês: “Door to Door”, Estados Unidos, 2002) Bill é portador de uma deficiência que dificulta sua fala, bem como limita seus movimentos, em especial do braço direito. Todavia, tais limitações não foram suficientes para barrar a força de vontade e, principalmente, a paciência e persistência de Bill Porter na luta por seu espaço no meio social.

Durante toda a vida, Bill Porter morou com sua mãe (interpretada pela atriz Helen Mirren) numa casa cuja posição de cada objeto em seu interior era previamente escolhida visando a facilitar Porter em seus afazeres diários, como se vestir, tomar café da manhã ou assistir TV. Mas aquela vida que levava estava muito aquém dos sonhos de Bill. Ele queria firmar sua função na sociedade e idealizava isso através de um emprego. Analogicamente falando, é como se essa sociedade fosse a natureza e nosso amigo, um espécime na busca por exercer seu nicho ecológico.

É assim que Porter, subsidiado pelo lema de sua mãe, consegue emprego como vendedor na Watkins Company depois de ser inicialmente rejeitado por suas limitações, mas pouco depois aceito, uma vez que Bill se oferece para trabalhar na rota mais difícil da companhia.

Começou timidamente, mas logo no primeiro dia como vendedor já pôde ficar orgulho de ter feito uma venda, sua primeira venda. Foram apenas 4,25 dólares, porém, mais que isso, essa pequena quantia foi o passo inicial para Bill Porter receber, depois de mais de 40 anos trabalhando pela Watkins, o prêmio de vendedor do ano, com mais de 42 mil dólares em vendas. O trabalhador é homenageado e, orgulhoso, passa uma lição de vida não só para os espectadores fictícios que o assistem na cerimônia de entrega do prêmio, como também para os reais que o vêem em casa através da tela de seus televisores e se comovem com a história de luta e vitória mais que merecida de um grande homem.

O filme é excelente não só ao trabalhar a questão do preconceito e das barreiras enfrentadas por quem possui alguma deficiência, mas também por explicitar, em histórias paralelas à do protagonista, todavia que se entrelaçam formando um todo conexo, situações verídicas como a de vizinhos que vivem em guerra, de relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo, da vida solitária de uma alcoólatra reclusa, dentre tantas que dão ao telespectador a possibilidade de se identificar com no mínimo um desses muitos casos, o que acaba por prender a atenção de qualquer pessoa.

Outro excelente ponto a se destacar é que Bill, apesar da dificuldade na comunicação falada, não possui nenhuma dificuldade quando o assunto é comunicação do coração. É com sinceridade, atenção, respeito, preocupação, dedicação e zelo que o grande vendedor conquista a vizinhança da rota mais difícil da Watkins. Ele não somente se envolve nos problemas dos clientes, ouvindo-os quando necessário e dando opinião ou conselho quando coerente, como passa a fazer parte da vida de cada um daqueles que abriram a porta de casa para a igualdade, independência e determinação do Sr. Porter.

Assim, Bill serve de exemplo aos vendedores que enxergam os clientes friamente apenas como fonte de renda dos quais se possa extorquir dinheiro, mostrando que é mais importante entender as necessidades dos clientes, ouvir de forma interessada, quebrar preconceitos, tornar-se amigo.

Fica também a crítica aos modernos sistemas de vendas que tratam as pessoas como objetos e que acabam por excluir aqueles que nem sempre estão aptos a trabalhar tão eficazmente com a tecnologia (exclusão digital), bem como da substituição do trabalho humano e do contato pessoal e face à face pelos telefonemas impessoais e musiquinhas de espera em serviços de telemarketing.

“De Porta em Porta” é um excelente filme que vale a pena assistir e se comover com a história verídica de Bill Porter: mais que um vendedor, um vencedor.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Beijo Gay em Reality Britânico

Foram necessárias dez edições do reality show Big Brother na Inglaterra para os espectadores presenciarem um caso até então nunca visto nas edições anteriores: o brasileiro Rodrigo lopes (estudante paulista de 23 anos, já indicado por muitos como o favorito para vencer o programa) e o inglês Charlie Drummond foram os protagonistas do primeiro relacionamento gay no reality show.

Os dois trocaram beijos - no já tão clichê edredon dos Big Brothers - ontem (quarta-feira dia 22/07) e estão sendo alvo atual da imprensa britânica. Comentários a respeito do assunto entre os telespectadores, como já imaginado, são constantes.

Os participandes, antes de publicamente mostrarem o que havia entre eles, já haviam passado por situações bastante íntimas como a vez em que Charlie depilou as pernas de Rodrigo num banho à dois, ou quando trocaram selinho dentro do confinamento.

O fato é que a novidade está dando o que falar na Grã-Bretanha. E até hoje nada parecido surgiu nas edições brasileiras. Será que o BBB10 trará algo do tipo assim como a décima edição britânica? Esperemos.

Por: Arthur Rocha.

domingo, 5 de julho de 2009

Terra Mapeada


Realizado pelo ônibus espacial Endeavor em 2000, a Nasa desenvolvera, até então, o mais completo mapa topográfico da superfície da Terra. Ele cobria cerca de 80% da superfície do planeta e possuía imprecisão nos dados de determinadas áreas, como as de desertos e as que correspondiam a terrenos muito íngremes.

Entretanto, com o projeto elaborado pela Nasa e pelo Ministério do Comércio do Japão, o planeta Terra agora possui um mapa cartográfico que cobre uma área correspondente a 99% da superfície terrestre.

As imagens topográficas capturadas pelo radiômetro Áster (Advanced Spaceborne Thermal Emission and Reflection Radiometer, ou Radiômetro Espacial Avançado de Emissões Térmicas e Reflexão) são os dados digitais de elevações mais completos e consistentes já divulgados no mundo, como disse Woody Turner um dos participantes do feito. E serão liberados para serem baixados, bem como seu uso será gratuito, podendo ser utilizados para usuários e pesquisadores de um amplo leque de disciplinas que precisem de informações sobre terreno e elevações.


Por: Arthur Rocha.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Quero

Quero ser completo
Quero completamente

Quero trocar a efemeridade do sonho humano
Pela atemporalidade do sonho imortal

Quero, dos pedacinhos, pedacinhos

Quero a pele macia do bebê
Quero as amizades da infância
Quero a liberdade adolescente
Quero a responsabilidade do adulto
Quero a experiência dos mais velhos

Quero a proteção de recém-nascido
Quero os sorrisos de criança
Quero o faz-de-conta infantil
Quero a expectativa do adolescer
Quero as descobertas da puberdade
Quero a maturidade da vida adulta
Quero a sabedoria do envelhecer
Quero a essência
Quero...
Por: Arthur Rocha.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Beleza Fundamental

O que antigamente só era efetivado em artistas famosos e prostitutas de luxo, hoje é tão comum quanto ir ao supermercado. As intervenções cirúrgicas são feitas por homens e mulheres das mais discrepantes idades e nacionalidades com o objetivo de reestruturar o corpo ou o rosto, tornando-se, supostamente, mais felizes. Entretanto, será que a felicidade realmente se encontra por trás das lâminas de um bisturi, canos de lipoaspiração ou aparelhinhos de massagem que derretem gordura?

Há indícios de modificações estéticas no ser humano desde civilizações viventes 7000 anos a.C. Nesse tempo, eram feitas pequenas intervenções cirúrgicas, como implantes de dentes; atualmente, o primeiro lugar nas cirurgias feitas em todo mundo não é para o implante dentário como no Egito antigo, mas sim para as lipoaspirações do século XXI.

As tecnologias se desenvolveram tanto que já se é possível alterar a estatura de um indivíduo em até dez centímetros, como também alterar a estrutura da língua para adaptá-la a uma melhor pronúncia no inglês. No entanto, até onde é válido se arriscar numa plástica?

Há quem não pense duas vezes antes de fazer uma correção de nariz, queixo, barriga, seios, mandíbula, etc. Contudo, vale ressaltar que qualquer procedimento cirúrgico – seja com finalidade estética ou não – exige o acompanhamento de um bom profissional na área da saúde, boa instituição onde será realizada a cirurgia e também é necessário seguir à risca todas as recomendações médicas prescritas, ou seja, nada de querer voltar às atividades cotidianas antes do tempo prescrito de recuperação.

Os cuidados com a aparência sempre foram presentes na humanidade. Todavia sempre existiram os chamados “padrões de beleza” em determinadas épocas os quais sempre estavam se modificando de acordo com a evolução dos povos, a mídia, a mudança dos valores e costumes da sociedade, a influência das musas do cinema e da TV e a moda. Como exemplo dessa evolução dos chamados “padrões” temos, no período renascentista, mulheres mais rechonchudas - o que representava fartura; por volta das décadas de 50 e 60 a mulher-violão – cintura fina, quadris largos; já a partir dos anos 80 iniciou-se a tendência “mulher tábua” - com um exacerbado culto à magreza. Daí para cá, as modelos que sempre conquistaram as platéias e passarelas passaram a conquistar o gosto do povo: Gisele Bündchen, Daniela Cicareli e tantas se tornam as musas e donas da verdadeira beleza. Foi então que as aulas de aeróbica nas academias de ginástica e a lipoaspiração deslancharam, tornando o culto ao corpo sarado com músculos definidos o sonho de qualquer um. As academias e spas lotam, o mercado para os personal trainers surge demasiadamente ampliado e os apetrechos milagrosos mostrados na televisão que prometem deixar qualquer um em forma em pouco tempo são vendidos como água no deserto.

Mas, independentemente da época, os “padrões de beleza” nem sempre contemplam a maioria das pessoas, tornando a vida delas uma verdadeira ditadura – dessa vez, não da Era Vargas, mas da Era Bündchen. Desde criança, meninos e meninas brincam com Barbies e Max Steels que, inconscientemente, já ditam modelos a seguir. É desse modo que, cada vez mais precoce, as vítimas dessa ditadura sofrem com doenças já tão conhecidas e divulgadas por veículos comunicativos - a bulimia e anorexia; além de outras, não tão repercutidas, como a vigorexia, drunkorexia e ortorexia.

A boa forma, a saúde e a beleza devem ser priorizadas, entretanto a população deveria alcançar esses méritos com exercícios saudáveis e alimentação adequada. O que não ocorre, pelo contrário: as pessoas ingerem alimentos inapropriados e altamente calóricos já visando a, posteriormente, retificar a problemática numa mesa de cirurgia, tomando altas doses de remédios ou exagerando na série de exercícios, transpassando seus limites. Não é por acaso que os Estados Unidos não somente são os campeões do maior índice de população obesa do mundo - e quanto fast food! – quanto de execuções de plásticas interventoras e corretivas.

A tão famosa frase do escritor Vinícius de Moraes "As feias que me desculpem, mas beleza é fundamental" não deve ser levada tão ao pé da letra. Afinal, se a beleza está nos olhos de quem vê, de que adianta está sempre se enquadrando aos padrões da mídia? O importante é ter saúde e se sentir bem consigo.

Por: Arthur Rocha.

sábado, 6 de junho de 2009

Semana do Meio Ambiente em Natal.

Ontem, dia 5 de Junho, foi dia mundial do Meio Ambiente (data criada pela ONU em 1972 na Conferência das Nações Unidas). Para tal data, foi organizada, na cidade do sol, a Semana do Meio Ambiente em Natal, que teve início dia 30 de Maio e termina hoje dia 06 de junho, com várias atividades ligadas à preservação ambiental.
Foram distribuídos cartazes como este, contendo todo o programa de atividades dessa semana do meio ambinte na nossa cidade:


Dentre essas atividades, tivemos blitze ecológica e distribuição de mudas de árvores, cartilhas e lixeirinhas no Largo do Machadão, em Lagoa Nova, no Norte Shopping, na avenida Roberto Freire e na praça Augusto Leite; e o projeto praia limpa na Praia do Meio.

Houve também, no shopping Midway Mall (3º piso), o corredor ecológico em que os visitantes puderam conferir uma espécie de labirinto no qual, ao longo de seu trajeto, são mostradas as ações do ser humano sobre a natureza, como a poluição sonora, a urbanização desordenada, o aquecimento global, o lixo.

Dorian Gray, Flávio Freitas, Canindé Soares (fotógrafo), Sayonara Pinheiro, Jean Sartief, Isaías Ribeiro, Selma Bezerra e Adriana Lopez participaram do evento expondo seus trabalhos artísticos sobre o meio ambiente.

A atração inovadora do evento ecológico foi a “calculadora ecológica”, programa em computador com o qual os visitantes poderiam saber, individualmente, sua quantidade de emissão de dióxido de carbono (CO2) no planeta. Para chegar ao resultado, o visitante responde a cinco perguntas e, em seguida, o programa diz quantas árvores deverão ser plantadas por ano para que haja uma compensação na quantidade de emissão de gás carbônico no mundo por parte do visitante.
O corredor ecológico esteve à disponibilidade até a sexta-feira (05 - 06), das 10h às 22h e a entrada era gratuita.

Por: Arthur Rocha.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Desenvolvendo tecnologias e problemáticas - Filme Tempos Modernos.

Os avanços na tecnologia e no campo científico trouxeram, sem dúvida, muitos benefícios à vida diária humana, todavia, como explicitado de maneira grandiosa e bem humorada por Charles Chaplin na obra cinematográfica “Tempos Modernos”, tanto desenvolvimento tecnológico acabou também desenvolvendo sérias conseqüências para a sociedade.
Uma dessas é a exploração do trabalho humano nas indústrias, obrigando os trabalhadores a abandonarem a produção artesanal – típica do período que precedeu a Revolução Industrial – e ingressarem num trabalho repetitivo e especializado, dominando apenas parte da produção e perdendo o conhecimento sobre as demais. Situação vivenciada por Carlitos (personagem de Chaplin em “Tempos modernos”), que perde seu emprego na fábrica onde apertava parafusos e onde fora sempre induzido a desempenhar seu trabalho sem contestar ou ter consciência do que fazia, passando, em seguida, a trabalhar num novo emprego: na construção de um navio. Lá, o ex-operário – tão habituado as suas tarefas repetitivas na indústria – não conseguia desenvolver uma atividade simples quanto achar um pedaço de madeira específico, coisa que lhe exigia capacidade de raciocínio maior que a qual estava acostumado.

Associada a exploração do operário temos a falta de direitos trabalhistas, que não impediam os chefes e donos de fábricas de obrigarem seus empregados a cansativas 12 e até 14 horas de serviço, muitas das vezes sem pausa para almoço – como é visto em “tempos modernos” a construção de uma máquina que poupa o trabalhador do intervalo para almoço, fazendo-o produzir mais e ampliar, assim, a rentabilidade e lucratividade da empresa.


Outra conseqüência é o acirramento das desigualdades sociais – fator já existente desde as antigas civilizações, quando passou a haver, dentro de uma mesma aldeia, diferenciação do trabalho executado por indivíduos distintos. As classes baixas continuam na luta por um emprego nas grandes indústrias e propriedades das classes altas que, por sua vez, enriquecem ainda mais com a exploração do trabalho operário. Vemos, no filme, tal fato quando Carlito está sentado ao lado de uma senhora rica e bem aparentada e os dois tomam do mesmo café que acaba por fazer mal, conseqüentemente, a ambos. A mulher toma um medicamento para aliviar a sensação, todavia Carlito se vê sem esse recurso, uma vez que se trata de um privilégio das altas classes e não da massa operária.

Tem-se também a questão do consumismo, tão difundido com a expansão do capitalismo logo após a Revolução Industrial. As máquinas estavam a todo vapor e para tantos produtos sendo fabricados é necessária uma política consumista ser disseminada entre a população, deixando-a apta a consumir tanto quanto for necessário para esvaziar as prateleiras e mais produtos serem confeccionados, assim, aumentam-se os negócios e ampliam-se os lucros – palavra tão apreciada no sistema econômico capitalista.
Observa-se isso quando Carlito e sua companheira passam uma noite numa loja de departamentos, usufruindo toda a mercadoria que talvez, nem em cem anos de trabalho, teria condições de obter. A moça se enaltece pelos casacos de pele, brinquedos e artigos de luxo que pode desfrutar na loja que Carlito trabalhava como vigia noturno.

Há, ainda, a repressão aos trabalhadores que não podem reivindicar seus direitos, sendo acusados de comunistas por parte das autoridades policiais; as classes baixas sendo obrigadas a se satisfazerem com o mínimo de recursos para sua sobrevivência; a falta de infra-estrutura das cidades que não conseguem comportar tanta gente vinda do campo com a utopia de progredir no desenvolvimento da cidade grande, o que acaba por gerar indivíduos como Carlito e a moça, pobres, desempregados, sem moradia ou residindo em barracos e roubando comida para se sustentarem.

Os tempos modernos não só desenvolveram o progresso científico-tecnológico-informacional, como também desenvolveram uma série de deficiências sociais. A facilidade e os benefícios trazidos com a modernidade se diluem na desigualdade, na criminalidade, na perda de valores, no descaso com os recursos naturais, na favelização, na falta de infra-estrutura urbana, no inchaço das metrópoles e no aumento da violência. Assim como metaforizado em “Tempos modernos”, a máquina que engole Carlito na fábrica é uma demonstração de que a tecnologia pode, realmente, devorar o homem e esse processo ocorre devido todas essas problemáticas engajadas ao moderno.

Por: Arthur Rocha.

domingo, 31 de maio de 2009

Castelos de areia

Ana, muito bem disposta, acordou cedo nesse sábado quente e ensolarado de Janeiro, o que não é de se espantar para alguém que mora nos trópicos. Agora, sentada e sentindo a suave brisa, passavam por sua cabeça as lembranças da época em que vinha com o pai para aquela mesma praia. Chegavam a passar o dia inteiro debaixo daquele sol, fazendo castelos de areia.

Respingos da água salgada atingiam seu rosto e rapidamente secavam com o vento que soprava agora mais intensamente sobre sua pele recoberta por filtro solar que, desde a infância, seu pai tanto insistia para que a filha jamais deixasse de usar. Imaginou o que ele não diria se visse seu anjinho – era assim como ele costumava chamá-la - com a clara pele desprotegida sob os intensos raios daquele astro, ainda mais nesses tempos de aquecimento global.

Esticou o braço e com uma das mãos passou a modelar o monte de areia em sua frente. As ondas, já mais fracas, chegavam até os seus pés. Ana sorria e continuava a elevar as mais lindas torres do seu castelo. Ficaria conhecida entre a realeza como a princesa do castelo mais bonito e que ela mesma o havia construído. Uma ponte interligava as alas leste e oeste. Foi então que subitamente uma onda mais forte invadiu o castelo. A princesa Ana ficou atônita, não sabendo como reagir frente tal situação. Seu reino inteiro estava sendo invadido por uma tsunami e os seus soldados de elmos dourados pareciam nada diante do desastre natural.

Indignada, percebeu que não adiantava construir seu palácio sem antes observar as condições do terreno. Afastou-se uns 2 metros para longe da água e tornou a construir a base do que seria seu novo reino. Muitos súditos chegavam para auxiliá-la, afinal, Ana sempre fora uma boa princesa. Novos soldados participavam dos treinamentos nos desertos de areia fina que circundavam o império, precisavam estar mais bem preparados para os muitos perigos que pudessem surgir e ameaçar a integridade da realeza e dos súditos. Dessa vez, aprendendo com a experiência anterior, Ana deixou as bases do castelo bem firmes e só então elevou as quatro torres principais. A construção já ganhava forma e Ana caprichava em cada contorno. Foi então que uma chuva repentina encharcou os salões de seu castelo ainda nem terminado. Agora já mais preparada, levantou-se e arrastou para mais perto de sua construção algumas palhas de coqueiro caídas, recobrindo-a. Pôde, assim, amenizar os estragos que a grande tempestade poderia lhe ter causado.

Algum tempo depois, com o sol já brilhante novamente. Descobriu o palácio e reparou os pequenos estragos. Quando repôs a última plantinha no jardim real, Ana teve uma sensação de alívio que pouco durou. Garotos jogavam bola alguns metros dali e um deles acabou por acertar uma das torres, desmoronando-a. Ana, tomando uma postura de princesa devolveu-lhe a bola e aceitou as desculpas com sutil sorriso. Os garotos voltaram a jogar e a princesa remexia os destroços de parte de seu palacete. Foi então que descobriu entre os grãos de areia algo metálico. Tratava-se de uma medalhinha com o desenho de um anjinho gravado na superfície de metal. Lembrou-se do pai. Lembrou-se de quando ele a chamava de meu anjinho. Lembrou-se de quando riam enquanto construíam castelos de areia naquela praia. Foi então que levantou, afinal, já entardecera e estava na hora de voltar para casa. Ana passou pelos garotos e disse um muito obrigado tão sorridente que todos olhavam pra ela com um brilho especial nos olhos. Foi distribuindo gentilezas por todos que encontrava no caminho entre a praia e seu apartamento.

Sobre a cama, Ana refletiu o quanto é importante aprender com tudo que passamos; tirar bom proveito até das situações mais complicadas; construir nossas bases em terrenos sólidos; aprender que nada que nos acontece é por acaso; que mesmo quando as pessoas tenham, aparentemente ou não, lhe feito mal não vale a pena retribuir tal atitude; que um sorriso faz toda a diferença; que não custa nada sermos gentis com o próximo; que sonhar não é coisa de gente boba; que preservar a imaginação de criança mesmo não sendo mais uma é um privilégio de poucos; e que todo obstáculo que nos apareça é pequeno diante do tesouro que encontraremos no fim de tudo. Vale a pena construirmos nossos castelos de areia.

Por: Arthur Rocha.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Muito prazer, Miss Simpatia

Não, meu bem, não é exclusividade sua. Eu mando esse meu olhar penetrante e esnobe para todos os visitantes desse blog. Meu nome é Cláudia e o prazer é todo seu, eu já sei disso. Sou uma típica telefonista da cidade de São Paulo dos idos de 1950, mas não me ouse chamar de velha, eu sei muito bem que é isso o que você está pensando, insolente.

Meu olhar intenso, minhas sobrancelhas bem desenhadas e esse coque todo estilizo são meu charme e ninguém resiste a ele. Então é melhor se entregar, deixe nome, telefone e idade que, talvez, eu te ligue, meu bem. Sou muito sincera, você já deve ter notado essa minha virtude dentre tantas outras que possuo. E não, não irei revelar assim diretamente quais são essas infinitas qualidades, acredito no seu mísero potencial suficientemente para saber que você pode descobri-las sozinho.

Sempre fui assim simpática e carismática desde a infância. Cresci ouvindo meu pai reclamar do governo e hoje envelheço vendo meus filhos falarem a mesma coisa. Adoro trabalhar com telefonia, sempre tive um talento nato para a área de comunicação e meu maior sonho - depois da cirurgia de catarata que ainda não pude realizar, pois meu plano de saúde não cobre – é estar à frente de um grande jornal, seja impresso ou na TV.

Não reparem nos meus óculos, eu já sei que eles me tiram o ar jovial que possuo, mas o que farei? Miopia é uma característica genética e já culpai meus pais por isso durante os primeiros 27 anos após meu primeiro óculos de grau. Todos me apelidavam na escola de coruja seca, mas botei silicone ano passado e calei a boca daqueles que me difamaram.

Faço as unhas semanalmente e sou moça de família, então não adianta me oferecer essas coisas que você usa. Sou fã do Elvis Presley e não perco um capítulo da minha radionovela preferida. Já trabalhei na TV TUPI e hoje, além do trabalho na empresa de telefonia, faço bico de garçonete num boate gay no centro de São Paulo, mas não - NÃO - curto esse tipo de relacionamento.

Já venci, recentemente, concurso de miss na minha cidade natal no interior do estado de São Paulo e atribui tal conquista a essas minhas feições tão admiradas pelos homens e invejadas por vocês, mulheres. Não me culpem pelo meu sotaque carregado, afinal, sou aquela moça do Sudeste que valoriza a cultura do seu estado e preserva bem as raízes da sua terra, como meus mais que comuns “erres” retroflexos - se não sabe o que é isso procure uma fonoaudióloga, meu bem.

Sei que sentirá minha falta, e que com esse meu papo descontraído conquistei sua simpatia, mas não precisa me elogiar logo agora que já estou me despedindo. Elogio é coisa de quem tem inveja, e eu detesto hipocrisia, então não me suje com suas palavras medíocres. E se passar pela rua e me reconhecer – o que seria impossível que não acontecesse – finja que não me conhece e nem ouse se aproximar ou chamar pelo meu nome, ta pensando que eu sou qualquer uma pra falar com você! E como dizia Clô – que Deus o tenha - humildade é para gente cafona - fica a dica.

sábado, 16 de maio de 2009

O que seria do amarelo se todos gostassem de azul?

Completa escuridão. As blusas amarelas se entreolhavam dentro do obscuro guarda-roupa de Mariana, tentando fitar, através da minúscula fissura entre a porta e as dobradiças, o que ocorria na porção exterior do armário. A penumbra embaçava a visão daquelas que, curiosamente, se esticavam para mais próximo da fenda, se enroscando umas nas outras e, em tentativas frustradas, acabavam por se amarrotar.
No quarto, Mariana abria o embrulho recentemente ganhado da madrinha. Nossa! Era completamente diferente daquilo o qual usava. A garota, por tanto gostar de amarelo, comprava tudo o quanto fosse possível dessa mesma cor. Todas as suas peças de vestuário eram nas mais discrepantes tonalidades de amarelo. Talvez por seus cabelos serem louros, ou por gostar tanto Sol. O fato é que se desconhece como a jovial Mariana viera a gostar tanto do tal amarelo.
Em abrir duas das três portas do guarda-roupa, a doce menina, de descompassados olhos castanhos, encontra suas blusas na maior confusão. Numa analogia, lembravam os guardanapos dos finos restaurantes aos quais o pai a levava nos finais de semana cuja justiça havia lhe concedido, dobrados de formas tão inusitadas que dava até pena desmanchá-los. Contudo, quem as havia posto daquela maneira? Pendurou o mais novo presente em um dos cabides desocupados e reorganizou, pacientemente (como de costume), as demais peças.
Foi dormir.
Durante a noite, enquanto azul sonhava, as outras colegas de armário cochichavam entre si, murmurando não ter, a nova moradora, qualquer chance de ser retirada do guarda-roupa, afinal, Mariana somente vestia amarelo.
De manhã cedo, Mariana desce para o café, escolhendo, posteriormente ao banho, a tão comentada blusa azul ganhada de presente. Fez tanto sucesso com ela, entre os familiares e amigos, que passou a sempre utilizá-la.
As demais blusas sempre ficavam tristes por não serem mais escolhidas por Mariana. Em contrapartida, a blusa azul, esta se vangloriava e adorava se mostrar melhor que as outras roupas, por ser selecionada continuamente.
Certo dia, as amigas de Mariana vieram pedir-lhe emprestada a tão magnífica blusa azul. Ela não a quis emprestar. Brigaram. Desse conflito não só saíram lágrimas, tapas e puxões de cabelo, como também uma peça de roupa completamente rasgada, suja e descosida. Saiam! A garotinha ficou sozinha. Passava, delicadamente, a mão sobre o tecido fino e azulado. No interior do armário, as amarelas vibravam com a queda do monopólio azulense, até então aparentemente impermeável.
Mariana! A mãe a chama. É hora de se arrumar para o aniversário da madrinha. A garota olha pro guarda-roupas já aberto e não vê mais graça nas suas antigas vestimentas. Pensa como gostaria de estar com sua blusa azul de golinha alta na festa da madrinha Carmem. Será que ela se decepcionaria em saber que Mariana não cuidou bem do presente? A mãe lhe veio apressar e lhe pôs a roupa. O vestidinho amarelo de babados lhe caiu perfeitamente.
Chegou tímida e acanhada. Carmem logo veio abraçar sua única afilhada. Madrinha, não estou usando seu presente, ele rasgou. Não havia problema, a madrinha, mulher adulta e responsável, chegou à Mariana com toda candura que já lhe era de costume. Meu anjo (parecia um anjinho com aqueles cabelinhos loiros cacheados) o que seria do amarelo se todos gostassem de azul? Coçou a cabeça como quem não havia entendido. A beleza das coisas está na diversidade com que elas se mostram. O presente que lhe dei foi para mostrar a você que novidades nem sempre devem ser mal vistas e que se existe amarelo e azul, verde e roxo, claro e escuro, papai e mamãe, dia e noite é porque cada uma dessas coisas tem sua importância. Amanhã iremos ao shopping e quero ver você escolhendo novas roupas. Bem colorias, madrinha? Do tanto que você desejar.
Abraçaram-se.
Por: Arthur Rocha.

Beleza cara

Não é de hoje que as celebridades vêm investindo horrores de dinheiro na sua estética, o que confirma a teoria de que pra ser bonita, uma pessoa não precisa nascer bonita, basta ter uma conta bancária significativa – em banco internacional e em euro, de preferência.

Para confirmar tudo isso, nada melhor que exemplos da vida real: A belíssima Angelina Jolie, com seus 33 anos, gasta US$ 400 por dia com uma máscara facial de caviar. Tudo para manter a pele sempre jovem.

Já a cantora Madonna investe cerca de US$ 120 mil ao ano com a "Kabbalah water", uma água que promete deixar o corpo mais "puro por dentro".

Outra que adora investir sua fortuna em estética é a modelo Kate Moss. Ela desembolsa cerca de quatro mil dólares por mês para malhar em uma das mais badaladas academias de ginástica de Londres.

Falando agora de famosas brasileiras, temos Deborah Secco que admitiu investir cerca de cinco mil reais por mês em cuidados faciais – imaginem o quanto não deve gastar com os cuidados para o resto do corpo que, vamos combinar, ela nem precisaria.

Hoje em dia, com tantos tratamentos surgindo, a medicina estética tem muito a oferecer – para aqueles com capital suficiente para bancar tamanha vaidade. Se você não é nenhuma estrela de telenovelas brasileiras ou astro de Hollywood, vai ter que se contentar com a máscara de abacate e pepinos nos olhos, afinal, são mais econômicos, bem como mais saudáveis se você utilizá-los, posteriormente, nas refeições.

Por: Arthur Rocha.
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