quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Enquanto isso, no restaurante...

Estômago: - Cara, manera aê com o que vai comer. Essa semana foi foda. Manda uns vegetais pra dentro, porque as coisas no intestino estão feias.

PRIMEIRO PRATO (800G): ARROZ, FEIJOADA, CUPIM, PICANHA, CORAÇÃO DE GALINHA E TOMATE.

Estômago: - Tá de sacanagem, né? Duas rodelas de tomate? E essas carnes mal-passadas? Pelo menos mastiga direito essa porra.

SEGUNDO PRATO (550G): ARROZ, COSTELA, PICANHA, ALCATRA E SALADA DE MAIONESE.

Estômago: - Chega de carne, cara, não cabe mais nada aqui. Lembra daquela úlcera? Tá faltando pouco pra cicatriz abrir. Tu quer fuder com tudo, né ? Manda um pouco de água.

BEBIDA 1: COCA-COLA 600ML

Estômago: - Seu imbecil, eu falei um pouco de água.

Eu: - Ué, Coca-Cola tem água. E ainda ajuda a dissolver a carne.

Estômago: - Coca-cola tem o inferno dentro, porra. Tá fudendo aqui com o suco-gástrico.

Esposa: - Amor, com quem você tá falando?

Eu: - Nada, não, tô pensando alto.

SOBREMESA: 300 gr DE PUDIM.

Estômago: - Eita porra, cabe mais não. Tá ouvindo?

Intestino: - O que tá acontecendo aí em cima? Que zona é essa?

Estômago: - O cara tá empurrando comida. Agora veio pudim pra dentro. Não sei mais o que fazer.

Intestino: - Vamos mandar direto.

Estômago: - O quê?

Intestino: - É isso aí, operação descarga.

Estômago: - Cara, o cérebro não vai gostar.

Intestino: - Foda-se o cérebro, ele nunca veio aqui em baixo pra saber como são as coisas.

Estômago: - Vamos dar mais uma chance pra ele. Eu acho que ele não vai mais…

BEBIDA 2: CAFEZINHO.

Estômago: - Filho de uma puta. Vou explodir.

Intestino: - Operação descarga iniciando. Anda, libera o canal do duodeno que eu já tô conversando com o esfíncter.

Coração: - Que que tá havendo aí embaixo? A adrenalina tá aumentando muito.
Intestino: - Operação descarga.

Coração: - Quem autorizou isso? O cérebro não me mandou nada.

Estômago: - Foda-se aquela geléia! Nem músculo tem.

Intestino: - É isso aê, foda-se essa geléia inútil. Vinte segundos pra abrir o esfíncter anal. Quero ver o ânus arder com esse suco gástrico.

Esposa: - Amor, você tá passando bem? Tá suando todo, aonde você vai?

Eu: - Preciso ir ao banheiro, urgente. Paga a conta e me espera no carro.

Esposa: - O que você comeu?

Eu: - Não sei. Acho que foi o tomate

terça-feira, 7 de setembro de 2010

#RT

Login, senha. Pronto. Já estava conectado aos mais de 500 followers no twitter. O dia parecia tão tedioso que nada lhe chamava atenção. Ainda ressentido pelo fim de seu último relacionamento, o internauta já havia decidido partir para outra. Mas, cadê a outra?

Foi então que @carolms sua amiga do curso de inglês deu RT no tweet de alguém que lhe chamou atenção. A foto era bonita, resolveu segui-la. E não deu outra, foi seguido de volta. Meio receoso de início, mas resolveu twittar com a nova follower. Depois de alguns twitts, já estavam mandando MSN e link do orkut por DM.

Pode parecer brincadeira, mas tudo isso ocorreu em velocidade de Internet nesse mundo überglobalizado. 1GB/s mantinha os dois estranhos interligados pelas redes sociais. Emoticons e winks descontraiam o papo, e os dois não paravam de trocar ideias. Já estavam compartilhando pastas com músicas e fotos compactadas para economizar KBs.

O internauta já nem lembrava mais do seu relacionamento virtual passado. Amor de 11 dias e 512Mb da memória RAM. Até durou muito, é o que dizem a maioria que convergem na ideia de que amor de Internet foi criado para não durar.

“te amo”, escreveu o internauta. Como é possível amar alguém que se conheceu há 8 horas?! Fizeram vídeo conferência e já podiam ver em tempo real um ao outro pela webcam. O que mais poderiam querer num relacionamento maduro, adulto, estável e sério de 8h?

Subnick no MSN e status do orkut com declarações de amor. Ele fazia o tipo romântico. Ela se divertia mandando beijinhos e abraços entre os avatares deles no buddy poke. Ambos mudaram relacionamento para “namorando” no perfil do Orkut. Até lastFM o internauta criou depois que sua parceira o convidou para participar de mais esta rede social da World Wide Web. Agora eles ouviam juntos a música tema do amor deles.

Passaram o resto do dia em love. Mesmo de madrugada, o amor não os deixava ficar offline ou sequer desligar o PC. Foram 18 horas de amor através da tela de LCD preta 17’’. Será que havia encontrado o amor da sua vida? Será que superaria os 11 dias de seu namoro mais duradouro? Perguntas como essa embalavam o nervosismo que o fazia ficar de pernas bambas ao teclar com a namorada.

Lá pelas tantas, a internauta fica off e não respondia aos chamados do amado. O que poderia ter acontecido? O internauta não parava de twittar a saudade que sentia e que estava desesperado. Nem lhe passava pela cabeça que a Internet da namorada havia caído e o servidor estava fora do ar.

Nem chegaram a comemorar o primeiro dia de namoro juntos, porque a internauta amada se desconectara da rede faltando duas horas para completar um dia inteiro de romance. Sem falar nos 23% restantes do download do vídeo da internauta com suas duas amigas dançando uma versão bizarra de “Single Ladies” que o tristonho internauta jamais assistiria por completo.

Ficou depressivo por cerca de 15 minutos quando, decidido, resolveu virar a página: criou um fake e foi beber todas numa boate virtual fake, com novos amigos fakes, música fake, comida fake. Quem sabe não encontraria uma fake estilosa dando mole por lá?

Por: Arthur Rocha

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Afetividade contemporânea: um olhar sobre os relacionamentos familiares e amorosos



A configuração familiar, com o clássico modelo homem e mulher que se casam, tem filhos e ficam juntos até que a morte os separe, vem modificando-se no decorrer dos tempos com o surgimento das novas formas de agrupamento familiar, onde se tornam cada vez mais frequentes os divórcios, recasamentos, mães solteiras, reprodução independente e as uniões homossexuais. A figura do homem como chefe de família, responsável pelo sustento financeiro, e a da mulher como educadora dos filhos e organizadora do lar vem sendo reconfigurada e as funções estão mais compartilhadas.

Somado a todas essas mudanças, as características sociais como o consumismo, a busca da felicidade imediata e o individualismo vêm transformando, de forma radical, as relações afetivas não só entre pais e filhos como também entre quaisquer indivíduos da sociedade contemporânea. Hoje, é comum encontrar pessoas com seus fones de ouvido, notebooks, celulares etc., exercendo uma relação que até pouco tempo atrás era tida como uma forma alternativa de manter comunicação entre os indivíduos e que agora se tornou primordial.

O surgimento da internet e de novos meios de comunicação, ao mesmo tempo em que facilitou a vida de muita gente, também foi o responsável pelas novas formas de relacionamentos: as pessoas estão mais isoladas em um “mundo particular” e compartilham suas emoções por meios virtuais. As pessoas não conhecem bem umas as outras mesmo sendo, muitas vezes, tão próximas, e os relacionamentos estão mais efêmeros e supérfluos.

No contexto familiar, o filho passa a ocupar o papel de aluno, uma vez que os pais destacam, exageradamente, a vida escolar das crianças como um elemento mediador de suas relações, e os pais tornaram-se meros financiadores, pois os filhos os enxergam apenas como os responsáveis pelo seu sustento.

A convivência com os outros, a construção das virtudes e da moral familiar, a transmissão de ensinamentos, histórias, princípios e tradições vêm perdendo terreno, o que, segundo alguns estudiosos, trata-se do declínio das relações sociais. O desafio que nos resta, em um momento de transição e crise que estamos passando, é refletir a respeito destes fenômenos e buscar novas maneiras de encarar antigas tradições.



Por: André Araújo

sábado, 28 de agosto de 2010

Parascavedecatriafobia

 
Também chamada de frigatriscaidecafobia, essa palavra de 23 letras se refere ao pavor das pessoas pela sexta-feira 13. A superstição é, na verdade, uma combinação de dois medos separados: o medo do número 13, chamado triskaidekafobia, e o medo de sextas-feiras.

Para a origem da sexta-feira 13 como um dia de azar há várias versões. A mais forte delas seria o fato de Jesus Cristo ter sido crucificado em uma sexta-feira e, na sua última ceia, haver 13 pessoas à mesa: ele e os 12 apóstolos, inclusive Judas. 
 
Outra versão, proveniente da mitologia nórdica, diz que a deusa do amor e da beleza era Friga (que deu origem à palavra friadagr = Friday = sexta-feira em inglês). Quando as tribos nórdicas e alemãs se converteram ao cristianis-mo, a lenda transformou Friga em bruxa. Como vingança, ela passou a se reunir todas as sextas com outras 11 bruxas e o demônio. Os 13 ficavam rogando pragas aos humanos.

O Código de Hamurabi, criado 1700 a.C. teve a cláusula 13 excluída por superstições Alguns estu-diosos relatam que o grande dilúvio aconteceu numa sexta-feira.

Coincidência ou não: em 13 de Dezembro de 1968 o governo militar do Brasil decreta o AI-5; o pior incêndio de florestas na história da Austrália ocorreu em uma sexta-feira 13 de 1939; a queda do avião que levava a equipe uruguaia de rúgbi nos Andes foi em uma sexta-feira 13 de 1972.

Nos Estados Unidos cerca de 8% da população sofre com a parascavedecatria-fobia.

Isso tudo pode parecer apenas superstição, mas os prejuízos são bem reais: segundo estudos de um instituto da Carolina do Norte (EUA), a data gera no país prejuízos que vão de 800 a US$ 900 milhões, com pessoas desistindo de viajar de avião, de se casar, realizar eventos, trocar de carro, vender imóveis, fechar negócios.

Por: Arthur Rocha

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

De volta


Antes de tudo ;p postando aqui de volta, uns três meses depois de meu último post. Confesso que sentia falta de escrever aqui, mas faltava o estímulo de voltar (acho que era isso). De qualquer forma, retornando com algo que escrevi hoje mesmo e acabei de postar. Espero que eu não suma de novo, farei o possível pra atualizar o blog.


E algo importa?

E não importa onde ela comprou aquelas roupas, a etiqueta já se foi mesmo.
E não importa que alguém na rua pergunte onde foi, ninguém fala sempre a verdade mesmo.
E não importa se a vizinha tem um igual, nunca saem juntas mesmo.
E não importa que tenha que dividir em dez no cartão, a mãe dela nunca paga em dia mesmo.
E não importa quantos olhem torto pelo rabo do olho, ela gosta de aparecer mesmo.
E não importa que tenha que chegar de ônibus, pode descer uma parada antes e vir andando que dá no mesmo.
E não importa se parecer que veio a pé, muda de assunto que é melhor mesmo.
E não importa se deu uma de metida pra entrar naquela festa, quem fica na sua nunca ganha nada mesmo.
E não importa que perguntem do namorado, ela não queria ficar com ele mesmo.
E não importa quantos dêem em cima dela a noite toda, não veio ali pra curtição mesmo.
E não importa o quão longe ele esteja, seu alvo já esta na mira mesmo.
E não importa que alguém ache estranho, senta na primeira fila de perna cruzada mesmo.
E não importa o quanto ele já tenha olhado, fechar os botões do vestido? Não mesmo.
E não importa que tenham-na visto encostando o corpo nele, todas estavam com ciúmes mesmo.
E não importa se ele não quis gastar com motel de luxo, o luxo de verdade vai vir depois mesmo.
E não importa que tenha que ter ido aos jornais, celebridade também faz escândalo mesmo.
E não importa que a barriga já tenha crescido, ele foi obrigado a fazer o DNA mesmo.
E não importa que tenham passado três anos brigando na justiça, a pensão ficou acertada em onze mil mesmo.
E não importa que chamem Kátia de vagabunda ou golpista, mãe alcoólatra, pai viciado em jogo, encostar barriga no tanque, caixa de supermercado? Passado que ela não quer lembrar mesmo.

Por: Arthur Rocha.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Soletrando para acabar com a obesidade

Charges sempre conseguem passar muito em poucas linhas e imagens. Com a situação precária do ensino público, podemos tornar a obesidade infantil erradicada no nosso país. Talvez seja por isso que países como os EUA tem altíssimos índices de pessoas obesas ou com sobrepeso.
Por: Arthur Rocha.

sábado, 3 de outubro de 2009

O Elogio

Patrícia Pessimes, uma jovem advogada de seus 28 anos, ainda estava progredindo em sua profissão. Formada há uns poucos anos, saíra da faculdade já contratada por um escritório de advocacia no qual faria parte da sociedade, dividindo-o com mais três amigos.

A relação entre os sócios fora muito boa durante os dois ou três primeiros anos de parceria, no entanto, de uns tempos para cá, Patrícia e seus companheiros andavam divergindo em alguns pontos e ela sentia que, mais cedo ou mais tarde, os demais chegariam para ela e lhe proporiam algo em troca de sua saída do escritório.

Andava cabisbaixa por uma rua escura nesta sexta à noite. O tempo estava frio e Paty ainda se tremia dentro de seu sobretudo. Foi então que uma senhora de lenço na cabeça passou por ela em direção oposta. Esbarraram-se. Patrícia porque não notara a mulher vindo em sua direção, uma vez que se distraíra observando os livros e montes de folhas de processos cujos braços carregavam exaustivamente; já a velha mulher não parecia ter batido de frente com Paty ocasionalmente.
Assustada, falou, com espanto e de sobressalto, um “desculpe” para a mulher de lenço em cores fúnebres. Ela levantou o rosto e fitou Paty cautelosamente, parecia que enxergava a alma da moça através dos olhos de Patrícia que fechou e abriu as pálpebras como quem não acreditasse muito bem naquilo que seus olhos pareciam lhe mostrar.
A rua já estava bem mais escura e a temperatura parecia ter caído mais uns três graus, pelo menos essa era a sensação térmica sentida por Paty. Mais uma vez olhou para a velha e essa ainda a fitava, dando, em seguida, um sorrisinho de leve por entre os dentes amarelados.
Patrícia pediu licença e já estava se endireitando para ultrapassar a mulher que se virou para a jovem advogada e proferiu em tom amável: gostei de seus olhos, não enxergo muito bem à luz do dia, tenho fotossensibilidade, mas durante a noite vejo perfeitamente bem. Gostei deles. Paty fez uma cara estranha, como quem achasse o elogio pouco necessário. Em seguida, respondeu-lhe: até seriam bonitos, não fossem esses meus óculos que os escondem e acabam realçando minhas sobrancelhas que, infelizmente, eu detesto; sem contar que sempre tento escondê-las transpassando a franja do cabelo e encobrindo-as, mas nem sempre resolve, pois acho minhas orelhas não grandes, mas um tanto desproporcionais para o meu rosto, então acabo deixando o cabelo mais solto para disfarçar, além do que, me disseram que eu não fico bem de franja, ela cobre minha testa e acaba achatando meu rosto que já não tem um formato muito elegante.
A senhora parecera ter ficado confusa no meio de tantos adjetivos. Fez uma expressão de descontentamento e voltou a falar, desta vez segurando nas mãos da advogada. A luz de um poste próximo encandeou a mão da senhora sobre a mão da jovem, podendo-se notar o quão discrepantes eram as mãos das duas. Paty sentia com sua mão lisa e delicada, alva e de unhas bem feitas a aspereza da mão grosseira que se postava sobre a sua. A senhora então disse que um dia já fora preocupada com essas coisas todas, porém o tempo lhe ensinara lições muito importantes e ela já aprendera a dar maior relevância a outros aspectos da vida. Quando se é jovem qualquer espinha é um tumor maligno, qualquer volume a mais no cabelo é um passaporte pra amargura, qualquer fio fora do lugar é um salto no precipício.
O mesmo oxigênio que usamos para respirar envelhece nossas células e, com o decorrer dos anos, ele nos leciona valores fundamentais pra se manter sempre jovem, mesmo com 64 anos. Paty sentiu a senhora apertar com força sua mão direita. Tive quatro filhos, ela disse, todos lindos e saudáveis, mas de que adianta terem se tornado pessoas sadias do ponto de vista fisiológico e por dentro não possuírem o mínimo de compreensão, sentimento, reciprocidade. Nada. Hoje, sozinha, ando por ai sujeita à sorte do tempo.
Patrícia sentiu a frieza com que a mulher falava de como levava a vida, ao passo que também sentira a amabilidade com que falara dos filhos. Olhou para a pele enrugada da senhora e viu as profundas marcas de dor, batalha e superação fortemente traçadas sob os olhos, no centro da testa, nas laterais do rosto. Pensou, então, nos poucos vínculos que possuía com a vida, não tinha familiares na cidade, todos – que se resumiam a um tio, uma tia e dois primos – residiam no Norte, os pais já falecidos e irmãos não havia. Segurou a lágrima. Palpitou o peito. Ressecou-se a garganta. Contraiu-se a pupila. Encolheu os dedos. Esfriou-se a mão. Estalou-se o pé esquerdo.
O que estaria fazendo nesse mundo? Onde estavam os sonhos que não mais perseguia? E o intercâmbio na Inglaterra? E a visita aos parentes do Norte? Todos esses pensamentos ocorreram de modo tão repentino e veloz que a senhora ainda estava com a mão sobre a da moça e ainda olhava para seu rosto tão expressivo agora depois de todas essas reflexões.
Paty perguntou para onde a mulher estava indo. Foi respondida com um simples “nem sei, para onde Deus quiser me levar”. Paty só tinha seu emprego, nada mais lhe prendia àquele lugar, emprego que já estava prestes a perder. Disse para si mesma que voltaria para os tios, e de lá poria em prática todos os planos que havia feito durante a faculdade: do intercâmbio à publicação de um livro. Sentiu a senhora soltar seu braço e dar-lhe um tapinha encorajador no ombro. Paty correu em direção ao seu carro usado e recentemente adquirido o qual se encontrava uns sete metros mais adiante. Jogou tudo o que trazia nas mãos em cima do banco traseiro, baixou o vidro do motorista e acenou para a velha que a essa altura já nem mais se encontrava naquele local.
Com uma das mãos sobre o volante, fechou o vidro com a outra e pousou a mesma mão sobre um pequeno papel que estava entre os documentos judiciais que vinha carregando. “Boa sorte”. Sorriu enquanto segurava. Ligou o motor do veículo, engatou a marcha e saiu na estrada à direita.
Por: Arthur Rocha.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O salto para a vida

Léa Bleiman, Alicja Zofia Nuzsy ou mesmo Léa Mamber tem sua história real contada pela escritora Célia Valente em “O salto para a vida” (editora FTD, 133 páginas, 1998). Os três nomes, apesar de diferentes, tratam da mesma pessoa: uma mulher batalhadora e apaixonada não só pela vida, mas também por viver.

Célia Valente, nascida em Cairo – Egito, além de escritora, é jornalista e veio para o Brasil em 1959. Ela já trabalhou na revista Exame da Editora Abril, na Gazeta Mercantil, na Folha de S. Paulo e na Editora Nova Cultural. Célia escreveu esse livro a partir dos depoimentos de Léa Mamber, judia polonesa residente no Brasil, e com eles construiu uma narrativa envolvente, instigante e, acima de tudo, que serve de exemplo para os leitores.
Léa é judia e, por isso, durante o avanço das políticas Nazistas, mais especificamente com o início da Primeira Guerra Mundial, sua vida mudará completamente de rumo. A jovem que morava com a mãe Elka acaba tendo seu cotidiano abalado com a invasão das tropas de Adolf Hitler ao território polonês, onde Léa residia. Todos os familiares de Léa são exterminados pelos nazistas e apenas ela consegue escapar num “salto para a vida” que dera quando ainda estava com a mãe num dos vagões de trem que as levaria para campos de extermínio de judeus. Elka se separa da filha e vai parar num dos campos de concentração, sendo executada e alvo das arbitrariedades nazistas.
É através da fuga que Léa passa a viver ilegalmente como alemã. Adota nova identidade - Alicja Zofia Nuzsy – e passa a viver entre os alemães nazistas secretamente. Ao longo de anos, acabou adotando não só essa, bem como outras identidades, na tentativa de sobreviver frente ao avanço dos regimes totalitários em boa parte da Europa do século XX.

Somente depois de muitas provações e de se sobrepor a tantos obstáculos, Léa encontra Natan Mamber, com quem se casa e, depois de pouco tempo morando na Polônia, os dois resolvem se mudar para o Brasil, numa tentativa de deixar para trás a Europa pós-guerra, completamente arrasada e afundada em dívidas, em especial com os EUA que posteriormente viria a se apresentar como a potência que hoje é. Em 1947, no novo país, o casal Mamber desembarca em São Paulo e só depois vai para Curitiba. No mesmo ano se deslocam para Mafra, interior de Santa Catarina, onde criam os três filhos e passam a ganhar a vida como comerciantes. Em 62 morre Natan, vítima de um câncer. O mesmo viera a ocorrer com Léa em 1993.
O livro é bastante ilustrado, trazendo muitas fotos e documentos reais que auxiliam no processo de leitura, o que aproxima ainda mais você leitor da história de luta de Léa para escapar da perseguição Nazista. Uma história verídica cheia de reviravoltas e bastante emocionante que vale a pena ser conhecida.

Por: Arthur Rocha.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Übermodel e embaixadora

Foi numa cerimônia em Washington Square Park - Nova York - que a übermodel Gisele Bündchen se tornou, novamente, foco dos muitos holofotes da mídia. Dessa vez não foi por conta da gravidez já tão comentada de Gisele com o marido Tom Brady - filho que, por sinal, já tem até nome: Gabriel - mas sim pela sua nomeação como embaixadora da boa vontade pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep, na sigla em inglês). A entrega do título pelas mãos do diretor executivo do Unep, Achim Steinero, correu no último domingo (20).

Como defensora do meio ambiente, a modelo internacional mais famosa disse: “O meio-ambiente sempre foi minha paixão. Cresci numa cidade pequena [Horizontina - RS] e tive a oportunidade de viver cercada pela natureza. Precisamos agir agora para que as gerações futuras tenham a mesma oportunidade. A Mãe Terra é o nosso sistema fundamental de vida e se nos tornarmos conscientes e responsáveis agora, podemos ajudar a preservar o planeta”.

Para aqueles que acham que celebridades em favor do meio ambiente é só uma questão de moda, com a über Gisele é bem diferente. Ela possui várias iniciativas pessoais: o reflorestamento da vegetação ribeira na região onde Gisele nasceu; a criação de um desenho animado na internet que apresenta Gisele como uma heroína do meio-ambiente; participação como membro da Aliança Floresta Tropical; criação de um site para ajudar na conscientização das pessoas ante as questões ambientais do planeta; e o apoio financeiro em projetos como o Ikatu Xingu, Nascentes do Brasil, De Olho nos Mananciais e Florestas do Futuro.

Por: Arthur Rocha.

sábado, 12 de setembro de 2009

Às pessoas altas

Num estudo feito pela Universidade de Princeton, em Nova Jersey e que foi publicado na revista Economics and Human Biology, as pessoas mais altas são mais bem sucedidas naquilo que fazem, desde um maior otimismo nas atividades cotidianas até a avaliação do estilo de vida num campo geral.
A pesquisa mostrou que dentre os 450 mil americanos adultos que participaram do estudo, os que afirmaram que seu estilo de vida era o pior possível eram, no geral, dois centímetros mais baixos que a média de estatura da população geral. O mesmo foi válido para as mulheres que se disseram infelizes, elas são 1,3 centímetros mais baixas que a média de altura entre a população feminina.
Pode não parecer muito merecedor de confiança, mas além do estudo anterior, outros sobre essa mesma questão também já foram realizados. É o caso de um estudo nacional feito por um professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (ex-Ibmec de São Paulo) e uma professora da Universidade de São Paulo.

Segundo o estudo, mulheres que apresentam estatura entre 1,70 m e 1,75 m, recebem 20,4% a mais do que as mulheres com estatura entre 1,50 m e 1,60 m. Já os homens entre 1,80 m e 2,10 m ganham, em média, 70,2% mais do que os com altura entre 1,60 cm e 1,65 cm.
Eu tenho 1,80 m. Será que dá pra acreditar nisso?


Por: Arthur Rocha.

domingo, 30 de agosto de 2009

As sete maravilhas naturais do mundo

Depois que foram eleitas, em 2007, as sete maravilhas do mundo contemporâneo construídas pelo homem - lembrando que o Cristo Redentor no Rio de Janeiro foi eleito uma das sete - chegou a vez de votar e decidir quais as sete maravilhas naturais do mundo.

Dessa vez o Brasil possui dois representantes, o que é melhor ainda. Estão participando da votação o rio Amazonas e as Cataratas do Iguaçu, ambos se encontram entre os 14 finalistas da votação que ocorre via internet.
Além desses, também concorrem o Mar Morto, as Ilhas Galápagos, o Grand Canyon, a Grande Barreira de Corais Australiana, dentre outras belezas naturais dos quatro cantos do mundo.

A decisão final esta prevista para 2011, mas a votação já está rolando na internet e você pode participar escolhendo sete entre as opções através do site: http://www.new7wonders.com/

Os organizadores do evento estão na espectativa de contabilizar um bilhão de votos vindos de todo o mundo.

Eu já escolhi as minhas sete maravilhas naturais, faça você o mesmo e ajude o Brasil a, mais uma vez, eleger seus representantes.
Por: Arthur Rocha.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Homicídio

Nesta segunda dia 24 de agosto - ontem - foi determinada por um juiz, em Los Angeles, a morte de Michael Jackson como sendo homicídio. O fato se deu com a confirmação através de depoimentos e testes que garantiram níveis letais do analgésico Propofol no sangue do eterno Rei do pop.
O médico de Jackson que lhe receitava os remédios afirmou que serviam para curar a insônia do astro, o que funcionou perfeitamente. Ele agora não sofre mais de insônia, bem como de qualquer outra patologia ou enfermidade, afinal, como eu disse anteriormente, foram doses letais. Eu preferia permanecer vivo na insônia a dormir por toda eternidade, mas opinião é que nem bunda, cada um tem a sua e quem quizer que dê.
Por: Arthur Rocha.

sábado, 22 de agosto de 2009

Valsa com Bashir: A dualidade de uma ficção real.

Resultado das tensões e conflitos entre árabes e israelenses pelo território da Palestina, a Guerra do Líbano (1982) é retratada em “Valsa com Bashir” através da grandiosidade do diretor Ari Folman com suas animações em 3D, vetorial (ou em flash) e a convencional, mas não menos importante, animação feita à mão.

O filme, lançado em 13 de Maio de 2008 durante o Festival de Cannes, foi escrito, dirigido e protagonizado pelo israelense Ari Folman que, através de um documentário animado – tido por muitos críticos como um dos precursores de um novo gênero cinematográfico: o documentário em animação – o veterano da Guerra do Líbano, tenta recuperar suas memórias perdidas da época na qual participou do conflito no Oriente, mais especificamente dos massacres de Sabra e Shatila, campos de refugiados palestinos localizados a oeste de Beirute.
“Valsa com Bashir” – vencedor do globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, entre outros 15 prêmios ao redor do mundo – traz Folman buscando e ouvindo o relato de demais pessoas que participaram ao lado dele na guerra durante a década de 80, sendo esta a única forma dele ter certeza do que se passou durante o conflito no Líbano, uma vez que a única lembrança guardada em sua mente era uma situação estérea em que, envolto de água do mar, ele observava uma cidade destruída sob a luz de sinalizadores noturnos.

Como explicou Ori Sivan – terapeuta amigo de Folman – a memória é fluída, portanto, ela é passível de mudanças, podendo ser recriada a cada momento, ainda mais quando se trata de uma lembrança distorcida como a de Ari Folman. Do mesmo modo é apresentada a película: ela trata da realidade, mas se utilizando do recurso da animação, recriando a realidade sob uma ótica que desperta um interesse maior no espectador, como intencionalmente o próprio diretor afirmou: a animação foi uma escolha natural, a que melhor auxiliaria no processo de revirar o passado, e ajudaria a atrair para o filme um público jovem que sabe pouco sobre essa guerra, tanto em Israel como no resto do mundo. Além do que, fugiria do formato tradicional de documentário baseado em entrevistas, explorando o lado ficção que a realidade pode ter.

A valsa é uma metáfora do momento no qual um dos soldados passou atirando com sua metralhadora, como se estivesse valsando com a sua arma por um curto período, mas que pareceu para ele uma eternidade. Já Bashir, refere-se a Bashir Gemayel, presidente libanês assassinado numa explosão nunca explicada.

Folman expande os limites do documentário ao inserir imagens reais de arquivo em que mulheres confinadas ao extermínio gritam em desespero, bem como imagens de corpos vítimas do massacre. Tais imagens – cenas realmente chocantes - são exibidas estrategicamente no fim do filme para nos lembrar que, apesar da dualidade ficção cinematográfica X documentário real, a Guerra do Líbano de fato existiu e as raízes de suas conseqüências atingem os dias de hoje.

Em suma, “Valsa com Bashir” utiliza recursos jornalísticos para produzir um documentário a partir de diversas entrevistas e arquivos com pessoas que fazem parte da vida real e, com isso, transportar tudo para o universo da animação, mesclando a realidade ao fictício, porém sem perder o tom sério e informativo. É ai onde ficção e realidade se encontram, não por acaso “Valsa com Bashir” é uma espécie de graphic novels, uma forma moderna e artística de jornalismo que desenvolve a tendência de levar as animações para os adultos.

Assista agora ao trailler do filme e disperte ainda mais seu interesse:



Por: Arthur Rocha.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Pizzas e pizzas


Fui almoçar hoje no shopping e depois de muito tempo decidindo o que comer, eis que opto por uma pizza. Pode parecer estranho para alguns pizza no almoço, mas de fato foi o que ocorreu. A demora toda para decidir o que comprar, nao vou mentir, foi pelo preço. Como as praças de alimentação exploram os consumidores. Os preços são altos e muitas vezes não compensam o prato escolhido. No entanto, o fato é que nem no restaurante mais caro por lá eu poderia encontrar algo como o que achei numa página da Internet - pois é, olha ai como a "net" (pros íntimos) serve pra alguma coisa. O que eu encontrei? eis a resposta: o jornal americano Daily News lançou a lista entitulada "10 Most Expensive Foods on Earth" - traduzindo, as 10 comidas mais caras do mundo - foi então que me deparei com uma pizza, ou melhor a Pizza. E ela até nome tem: Pizza Torta no Céu - não so nome como dois sobrenomes, de pai e mãe.

Ela é feita sob encomenda, leva creme fraiche (creme de leite fresco levemente envelhecido) , 4 tipos diferentes de caviar, salmão, cauda de lagosta e pimentas especiais com Wasabi. Achou pouco? Pouco foi a minha frango ao catupiry com zero de requinte hoje mais cedo.

Todavia, o que faz dessa pizza tão especial não é apenas seus ingredientes. Não? não. E o que mais? O preço. A belezinha que pode ser encontrada em Manhattan, feita pelo chef Nino Selimaj, custa não mais nem menos que... Chuta? Humm... mil doláres? Se essa foi a sua resposta, acertou. É por isso que eu digo que existem Pizzas e pizzas.

Por: Arthur Rocha.
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