domingo, 12 de junho de 2011

Ivan Cabral: Um chargista a serviço da população



Nascido em Areia Branca/RN, Ivan Cabral é o exemplo de que o jornalismo se faz além das palavras. Graduado em Ciências Contábeis e Mestre em Educação, seu nome é destaque no jornalismo do Rio Grande do Norte quando o assunto é charge.

Ivan descobriu o gosto pelo desenho ainda quando criança, mas teve sua preparação profissional na adolescência ao conhecer o Grupehq (Grupo de Pesquisa em História em Quadrinhos) e começou a fazer quadrinhos. O chargista disse que sua inspiração vem de nomes renomados nacionalmente, como Ziraldo e Veríssimo, mas também aprecia o trabalho da nova geração, como Jean Galvão, cartunista da Folha de São Paulo.

Profissionalmente, Ivan se inseriu no mercado de trabalho em 1983 quando substituiu Edmar Viana na coluna Cartão Amarelo no jornal Diário de Natal, durante poucos meses. Essa experiência lhe rendeu frutos cinco anos mais tarde, em 1988, ao substituir o chargista Claúdio Oliveira, que se encontrava de férias na época, na Tribuna do Norte. Posteriormente, Ivan apresentou seus trabalhos no Diário de Natal, com a saída definitiva de Edmar do jornal, iniciando de fato sua carreira profissional.

Como jornalista ilustrador, o chargista diz se adaptar aos temas abordados no dia a dia, lendo as principais manchetes e desenvolvendo sua arte. Perguntado, durante entrevista cedida aos alunos da UFRN, se na época em que trabalho em jornal impresso sofria pressão política, Ivan é categórico e responde: “nunca sofri esse tipo de pressão no Diário de Natal”. No entanto, diz ter sido um desafio, anos mais tarde, quando fora chamado para trabalhar no Novo Jornal, dirigido por Cassiano Arruda, no qual suas charges atualmente saem na primeira página, que possui uma posição política muito clara, mas que foi, e é respeitado quanto a sua liberdade criativa.

Falando sobre os novos aparatos tecnológicos, Ivan fala que as mudanças que o tempo trouxe vieram com benefícios, mas também que há um lado não muito bom. Inicialmente ele pintava seus desenhos no papel, sem cor, e depois coloria. Por vota do ano 2000, começou a desenhar no papel e pinta no computador, chegando, às vezes, a fazer tudo nesta máquina. Entretanto, quando isso o acontece fala que se sente triste por não ter a arte original no papel, se for imprimir do computador as cores não saem iguais as que estão estampadas na tela, “é como se a gente perdesse um filho”, diz.

Perguntado pelo estudante de Jornalismo André Araújo sobre o monitoramento do uso de sua arte na internet e nos meios impressos, Ivan diz ser difícil fazer esse trabalho. Há casos em que conhecidos o ligam para comunicar que alguma charge sua está sendo usada em veículos que não são autorizados, fazendo-o entrar em contato com o responsável pela publicação para uma negociação do uso da arte. “É muito complicado ter esse controle. Muita gente usa sem pedir permissão. Mas também venho recebido convites de muitas editoras para publicar minhas charges em livros didáticos e muitas já foram publicadas.” O chargista, em seu blog, libera o uso de seu material como ferramenta pedagógica para professores e estudantes, e até mesmo a reprodução em outros meios de veiculação desde que sejam mantidos por pessoas físicas, sem fins comerciais e citando a fonte.

Com mais de vinte anos de experiência, Ivan diz nunca ter tido um momento de ócio criativo: “É impossível não ter uma idéia, mas prezo para ter ‘a idéia’ e isso às vezes demanda tempo, pelo meu perfeccionismo.” Desmascarando as pessoas do poder, com conteúdo essencialmente editorial, mas nunca denegrindo a imagem de ninguém, essa é a premissa seguida pelo artista. Com essa declaração, o chargista é a garantia de que a criatividade proporcionará um jornalismo ilustrativo diário de qualidade, como podemos conferir no Novo Jornal e em sua página na internet: www.ivancabral.com

Por: André Araújo

* As imagens utilizadas foram retiradas do blog de Ivan Cabral, acima citado.


sábado, 14 de maio de 2011

Nada é o que realmente parece ser

Buscamos todos os dias nos expressar para impor nossas vontades. Através da fala, por exemplo, tentamos nos tornar um ser. Mas o que viria a ser “ser”, se não mais que existir? Pensamos existir num mundo soberano, no qual somos donos de tudo e a tudo podemos. Esquecemos o que, por exemplo, Nietzsche [tentou] nos ensinar a respeito da importância do conhecimento perante a existência.


            Achamos, por possuirmos um intelecto, que fora legado a nós para auxiliar os seres mais infelizes da afirmação de sua existência, pertencer a uma classe infinitamente superior a todas as outras. Por razão de tal intelecto, nos achamos capazes de enfrentar a tudo que possa aparecer. Buscamos através deste a afirmação do ser. Pensamos ser seres pensantes e absolutos do conhecimento, quando não passamos de meras metáforas. Utilizamo-nos da linguagem para firmar conceitos e verdades absolutas. Esquecendo que o rio que corremos é a salvação, procuramos a salvação em nós mesmos, enganando a nós mesmos. Porém, é isso que caracteriza o homem como tal – enganador de si mesmo.


O que na verdade queremos é encontrar a tal verdade, mas esta não cabe ao intelecto humano, pois o homem pensa andar com suas próprias pernas, sem perceber que forças primitivas – que o homem insiste em negá-las – ditam seus movimentos. Nessa busca frenética pela verdadeira essência de ser nos afogamos rio abaixo e pensamos ter encontrado a salvação, quando na verdade estamos nos enganando com mentiras que insistimos como verdades. Através do processo de formação da linguagem, no qual o estímulo nervoso gera uma imagem, que por sua vez gera um som que se transformará em palavra e logo em conceito, o homem acredita ser dono da verdade, quando a verdade não passa de convenções sociais que visam regular os relacionamentos humanos e possibilitar a formação de uma comunidade. Comunidade esta que adora ser enganada. Assim, não saindo dessa busca angustiante de se tornar ser, as coisas não só nunca se passam lá onde se acredita como também não são aquilo que parecem ser.

Por: André Araújo

[Texto produzido para o Projeto de Extensão Cinema & Educação: Um olhar pós-estruturalista]

domingo, 12 de dezembro de 2010

Olha a trufa!

“Olha a trufa, um real.” – talvez essa seja a frase mais repetida durante o dia de Francisco Erivan Sobrinho, 39. Vindo de uma família humilde do interior do Rio Grande do Norte, município de Fernando Pedrosa, Francisco logo cedo teve que aprender a arte do empreendedorismo autônomo.

Quando dispensado das forças armadas, Francisco muda-se para o Rio de Janeiro em busca de novas oportunidades. Lá trabalha como vendedor de loja de roupas e camelô. Conhece Regina, com quem é casado até hoje, e depois de 12 anos morando no Rio vem para Natal. Perguntado sobre o motivo da mudança, a resposta vem sem pensar muito: “o comércio começou a ficar fraco”, diz.

“No início moramos na casa de uma irmã minha, mas ela vendeu a casa e tive que juntar dinheiro para comprar uma”, relembra Francisco de sua chegada a Natal. Com dois mil reais ele comprou uma pequena casa no bairro Nossa Senhora da Apresentação, zona norte de Natal, mais ou menos seis anos atrás.

No rosto, Francisco trás as marcas de uma vida difícil e de muito trabalho. Porém, a espontaneidade e simpatia são suas marcas na venda de trufas pelo campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Quando chegou a Natal trabalhou como ajudante de pedreiro em algumas obras pela Universidade e conheceu um amigo e, junto a essa amizade, a oportunidade de um novo negócio, vender trufas. A parceria vem dando certo há três anos. O amigo fabrica as trufas e repassa para Francisco a R$ 0,75. O homem da trufa, como é conhecido pelo setor II da universidade, as vende por um real.

Alguns alunos já são amigos reconhecidos por Francisco que diz se dar muito bem com os jovens, “os alunos me tratam bem, são legais e fiz amizade com alguns”. Sem expressões muito aparentes, ele relembra um fato recente que o emocionou muito: “os alunos me protegeram de um segurança que quis me retirar do setor, pois queriam proibir a permanência de ambulantes pela universidade”.

Francisco segue com suas vendas e com sua luta por uma vida melhor a partir do seu trabalho digno e seu poder de venda, que adquiriu quando mais jovem. Ele é um dos grandes exemplos da massa de trabalhadores brasileiros, sem carteira assinada, que vêem no comércio autônomo a oportunidade do seu sustento.


Por: André Araújo

sábado, 13 de novembro de 2010

Processo grupal e influência social em “A Onda”


O filme “A onda” (The wave) - 1981, baseado em uma história real que aconteceu na Califórnia – EUA, em 1967, tem início com o professor de história Burt Ross explicando aos seus alunos a atmosfera da Alemanha de 1930, a ascensão e o genocídio nazista. Os questionamentos dos alunos acerca do assunto e anotada falta de interesse de alguns pela aula levam o professor a realizar, ingenuamente e sem que os estudantes percebam, uma arriscada experiência pedagógica em sala de aula, que consistem reproduzir algumas práticas nazistas, usando o slogan “Poder, Disciplina e Superioridade”, um símbolo gráfico para representar “A onda”, além de vestimentas uniformizadas e continências que lembravam a saudação nazista.
O objetivo do experimento era mostrar as vantagens da democracia, mas chega-se a um ponto que o professor perde o controle da situação. Os alunos tornam-se fanáticos pelo movimento, passam a desejar fazer parte do grupo e a se comportar com obediência e submissão as regras de “A Onda”, sendo um comportamento recompensado, reforçando ainda mais as ações praticadas pelos seguidores. Isso é típico do caráter de influência social, quando a pessoa passa a se comportar de forma semelhante aos outros para se encaixar e fazer parte de um mesmo tipo de grupo. Ou seja, o evento comportamental se torna reforçador para a ação de outra pessoa, exemplificado no filme em vários momentos, como as saudações, o uso de uniformes, que eram elementos reforçadores para que outras pessoas tivessem o mesmo comportamento.

É perceptível a coesão do grupo formado por “A Onda”, os indivíduos envolvidos estacionam e os processos de interação tornam-se circulares. Percebem-se as tipologias dos grupos em função de estágios alcançados pelo movimento, visto em LANE (2001): “O primeiro estágio seria o de grupo aglutinado, no qual há um líder que propõe ações conjuntas e do qual os membros esperam soluções” Nesta fase, o professor propõe o experimento aos alunos a fim de fazê-los alcançar o sucesso através da disciplina. “Num segundo momento, temos o grupo possessivo, onde o líder se torna um coordenador de funções, e onde as tarefas exigem a participação de todos levando a maior interação e conhecimentos mútuos”, na qual Ross instiga os alunos a obedecerem as regras, ensinando-os como se comportarem, ajustando suas posturas, por exemplo. “Na terceira fase, temos o grupo coesivo, onde há uma aceitação mútua dos membros, o líder se mantém como coorde­nador e a ênfase do grupo está na manutenção da segurança conse­guida, vista como um privilégio. É um grupo que tende a se fechar, evitando a entrada de novos elementos.”, os alunos, nesta fase já estão adeptos aos métodos utilizados pelo professor e sentem-se privilegiados de fazerem parte de “A Onda”, porém aqui, eles são instigados a chamarem novos membros para o grupo a fim de tornar o movimento maior, mais abrangente. “ Por fim, temos o grupo independente, com a liderança amplamente distribuída, pois o grupo já acumulou experiências e aprendizagens; os recursos materiais aumentam e as metas funda­mentais vão sendo alcançadas, surgindo novas metas que visam o desenvolvimento pleno dos membros e das pessoas que se relacio­nam com o grupo. É um grupo onde as relações de dominação são minimizadas e a coordenação das atividades tende para a auto­gestão.”, esta é a fase na qual os estudantes já estão altamente acostumados com as regras e tornam-se lideres observadores do comportamento social dos outros membros e também das pessoas que não fazem parte do grupo, punindo aqueles que desobedecem as regras impostas.

O professor Ross se declara o líder do movimento de “A onda”, exercendo alguns tipos de poder explanados em RODRIGUES (2007), como poder de recompensa, influenciando os alunos a obedecerem às regras para conseguirem o sucesso, o poder de coerção, punindo os integrantes que não cumpriam as normas, poder de legitimidade do tipo em que a legitimidade decorre da dependência, por parte do líder, da cooperação dos seus liderados para atingir um objetivo comum, exposto por Raven (1993), poder de referência, quando os alunos passam a emitir comportamentos semelhantes aos expostos por seu líder e também semelhantes entre si e poder de conhecimento, já que o professor exerce um cargo de influência por si só, os alunos aceitam as condições impostas, pelo fato de confiarem nos conhecimentos de seu docente, pensando ser algo bom para eles e que Ross teria conhecimento do que estava fazendo, estimulando a disciplina e fazendo valer o poder superior do grupo sobre os indivíduos. Os estudantes o obedecem cegamente, visto a força de sua credibilidade e proximidade do grupo, enfatizado por Latané (1981) como “força da fonte (visibilidade, status, credibilidade e poder das pessoas que estão influenciando)” e “proximidade (estarem perto ou não da pessoa-alvo), a partir de réplicas dos experimentos de Asch (1946). A tímida recusa de um aluno o obriga a conviver com ameaças e exclusão do grupo, pois “quanto maior o grupo, maior a pressão e maior o conformismo” (Gerard – 1968) em relação à situação em questão. A escola inteira é envolvida no fanatismo de “A onda”, até que um casal de alunos mais consciente alerta ao professor ter perdido o controle da experiência pedagógica que passou ao domínio da realidade cotidiana da comunidade escolar.

O filme tem seu desfecho quando o professor convoca todos os membros do movimento para uma reunião na qual seria exibido o líder nacional de “A Onda”, porém Ross desmascara a ideologia totalitária que sustenta o comportamento dos alunos e discursa sobre o desaparecimento do sujeito crítico diante do poder de um líder e do fanatismo por uma causa. Vale destacar o discurso final do filme: “Agora prestem atenção! Não há nenhum movimento nacional da juventude. Vocês acharam que eram especiais. Melhores que qualquer um fora dessa sala. Vocês trocaram sua liberdade pelo luxo de se sentirem superiores. Vocês aceitaram a opinião do grupo acima da sua própria convicção sem se importar quem vocês magoavam. Todos vocês acreditaram que poderiam ir embora a qualquer momento que quisessem. Mas para onde vocês estavam indo? Até onde iriam? Sim, todos nós daríamos bons nazistas. Colocaríamos os uniformes, viraríamos a cara para nossos amigos e vizinhos, deixando-os serem processados e destruídos. Fascismo não é uma coisa que outras pessoas fizeram. É exatamente isso aqui. Em todos nós. Vocês perguntaram como é que o povo alemão não fez nada enquanto milhões de pessoas inocentes eram assassinadas? Como eles poderiam dizer que nem sabiam? O que leva as pessoas a negarem sua própria história? Bem, a história se repete. Todos querem negar o que aconteceu com vocês em “A Onda”. Mas eu digo que a experiência foi um sucesso. Vocês aprenderam que todos somos responsáveis pelas nossas próprias ações. E que vocês devem preferir se questionar do que se cegarem e seguir um líder. E que pelo resto de suas vidas vocês não permitirão que a vontade de um grupo retire os seus direitos individuais. Eu sei que isso é doloroso para vocês. É também para mim. Mas é uma lição que todos compartilharemos para o resto de nossas vidas.”

O filme consegue mostrar o risco que o sujeito corre de perder a liberdade e a autonomia, submetendo-se incondicionalmente ao poder de um grupo, alimentados por uma causa absoluta e utilizando slogans para ordenar uma ação automática, sendo manipulado por discursos e movimentos de massa, fazendo desaparecer o sujeito crítico.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Filme: “A onda” [ The wave] – Dur.: 45 minutos – Direção: Alex Grasshof - País: EUA - Ano: 1981. Elenco: Bruce Davison, Lori Lethins, John Putch, Jonny Doran,Pasha Gray, Valery Ann Pfening.
LANE, Sílvia T.M. O processo grupal. In: LANE, Silvia T.M.; CODO, Wanderley (orgs.). Psicologia Social: o homem em movimento.13. ed. São Paulo: Brasiliense, 2001.
RODRIGUES, A.; ASMAR E.M. L.; JABLONSKI, B. Psicologia Social. 25ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007.




Por: André Araújo

domingo, 31 de outubro de 2010

Quando a brincadeira deixa de ser divertida


Esqueleto humano. Essa era a forma como Carlos Oliveira (nome fictício para manter a identidade do jovem preservada) era chamado na escola pelos demais alunos da classe. Alto, magro e tímido, ele sempre sentava no fundo da sala e evitava falar com qualquer um. Diariamente, o jovem de 14 anos era alvo não só de apelidos maldosos, como também de brincadeiras violentas. Chegou-se ao ponto de fazerem uma votação entre os alunos da escola para saber quantos o detestavam e o queriam fora da classe. A situação até amenizou depois que Carlos disse não gostar desse tipo de “brincadeiras”.

Thais Silva (nome também fictício), 24, há quatro anos teve sua conta, numa rede social da internet, alvo de recados com ameaças e ofensas por gostar de moda e ter sido uma das primeiras da faculdade a ter um novo modelo de celular pink. O infortúnio partia de um perfil chamado Bozo e com a foto do famoso palhaço. Thais chegou a ser ameaçada de seqüestro por Bozo, que garantiu levá-la junto com o celular rosa. Quatro meses depois, a conta foi ativada como um perfil normal e a universitária descobriu quem era o palhaço. Ela não reagiu, mas até hoje não entende o porquê da garota ter feito tudo isso.

Ana Paula (nome fictício), 15 anos, deficiente física, fã de bandas de rock e de reality show, criou um fake no Orkut para conversar com outros perfis da rede. Um perfil sem fotos a adicionou e começou a fazer ameaças, além de adicionar suas amigas e dizer que Ana falava mal delas para outras pessoas. As amigas da escola acreditaram e se afastaram dela, chegando a uma discussão em que uma delas tentou derrubar Ana de sua cadeira de rodas. Indignada com o caso, a mãe da jovem contratou um advogado e levou a polícia na escola. Ana Paula contou para uma de suas amigas que o advogado iria descobrir quem era o autor do perfil que a estava ameaçando; sua amiga ficou nervosa e pediu para que deixasse o caso de lado. Uma hora depois o perfil fake foi deletado da rede. Ana Paula mudou de turno e estuda em uma outra turma para não ter que esbarrar com suas antigas amigas.

Esses três jovens são casos práticos de bullying, que vem se tornando cada vez mais freqüente no Brasil e no mundo. Bullying é um termo em inglês que grosseiramente poderia ser traduzido com “tiranizando”. É uma expressão utilizada para descrever todas as formas de violência física ou psicológica, intencionais e repetitivas, exercidas por um ou mais indivíduos com o objetivo de intimidar e agredir outras pessoa sem ter possibilidade ou capacidade de se defender.

Segundo pesquisa realizada pela ONG Plan Brasil com 5.168 alunos em cinco regiões do país, 10% deles já sofreram ou praticaram bullying. Com relação ao cyberbullying – tipo de bulliyng praticado na internet, com os mesmos objetivos (ridicularizar, humilhar, ameaçar) - 16,8% foram vítimas e 17,7% praticaram. Esses valores permitem concluir que o bullying na rede já é mais freqüente que ao vivo. Thais e Ana Paula se encontram nesses 16,8%, junto com tantos outros jovens e crianças que não encontram na escola nenhum programa de enfrentamento ao bullying, assim como muitas vezes não contam com a ajuda dos pais que somente culpam a escola, e todos ficam nesse jogo de empurra-empurra.

É difícil haver uma denúncia por parte da vítima. Isso se dá porque apontar os que praticam o bullying pode agravar a situação e pelo sentimento de humilhação que é passar pelo bullying e declarar que passou. É uma dupla sensação de impotência, de fraqueza. E tudo pode acabar sendo visto com apenas uma “grande brincadeira”, no entanto, é preciso deixar clara a diferença: é brincadeira quando há equilíbrio e espaço para todos e não quando aquele que tem mais força, física ou psicológica, humilha o mais fraco, que apresenta aspectos psicológicos como timidez e baixa auto-estima.


Por: Arthur Rocha e André Araújo

sábado, 16 de outubro de 2010

Conversa de amigo

Estava revirando umas gavetas velhas e achei um texto que escrevi numa visita da psicóloga da minha ex-escola quando eu ainda fazia o prévestibular. Achei engraçado, nem lembrava que esse texto ainda existia. Me lembrei das conversas que tinha com meus amigos, das que tenho hoje, 2 anos depois, da incerteza que foi escolher qual curso fazer vestibular, das incertezas que são tão típicas da vida. Enfim, resolvi compartilhar ele aqui com vocês, tenho certeza que alguém já deve ter tido uma conversa dessas com alguem amigo:

Olhava perdida para o céu, as pernas reconfortadas sobra uma cadeira semelhante a qual estava sentada e s livros todos empilhados na pequena e retangular mesinha de madeira envernizada. Aproximei-me cautelosamente, procurando não transpor o meu nervosismo ao ambiente, mediante cada largo passo que minhas trêmulas pernas davam. Pus a mão em seu ombro esquerdo.

- Fiquei sabendo do ocorrido - comentei por entre os dentes - quero falar sobre o assunto.

Marília fez que sim com a cabeça, anuindo. Fez-me um gesto com as sobrancelhas que identifiquei, significava "sente-se".

- John, não acredito que voce irá embarcar na próxima semana. Não posso deixar que vá - dizia ela - como irei ficar só?

- Você sabe que minha família e os meus amigos são o que tenho de mais precioso, porém não posso abrir mão de uma oportunidade como essas - completava - é a minha grande chance de me expandir como jornalista.

E com quem irei contar nos bons e maus momentos? - ingadou-me soluçando.
Não tenha medo de pedir a ajuda de outros somente para não parecer fraca. Você tem sua família, sua faculdade aqui, ainda há muitas oportunidades esperando que você as agarre. O respeito vem acima de tudo - ela me fitava aturdida - você precisa respeitar a minha decisão.

- Imagine você, que sempre foi tão carismático e divertido, logo logo irá conseguir novos amigos, seu tão desejado sucesso profissional, não que você não mereça - parecia tentar despistar - sei que se esforçou e esudou muito, não por acaso conseguiu esse estágio em São Paulo assim que terminou a faculdade. Mas o fato é que nunca mais retornará para nos vermos.

- A única coisa da qual sinto-me na obrigação de aconselhá-la é que eu estou indo na busca por aquilo que desejo - olhei diretamente no fundo de seus olhos castanhos - e você deveria fazer o mesmo. Seu sonho sempre foi fazer teatro, então de que adianta concluir a faculdade de direito inteiramente por vontade de seus pais? - agarrei-lhe as mãos - lembre-se que nunca é tarde para mudarmos nosso caminho. Quem sabe se dramatizando você sentirá menos a minha falta?

Ela sorriu e me abraçou. Parecia concordar.

Depois que li, comecei a refltir sobre a personalidade de Marília, no fundo no fundo ela me parece ter ao mesmo tempo um amor reprimido e uma inveja possessiva do amigo . Mas e o que vocês acham?
Por: Arthur Rocha.

sábado, 9 de outubro de 2010

A nota

Ventava muito, o jornalista acordou para fechar a janela do quarto e barrar todo aquele frio. Alguns goles de café forte e sem açúcar antes de sair de casa. Ele nunca deixava de tomar o tal café, era a única coisa que, segundo ele, o mantinha aceso na redação o dia todo.
Na cozinha, passava os olhos ao acaso quando pousou a vista sobre o calendário de parede. Era primeiro de novembro e o único pensamento que lhe veio a mente naquele instante foi de como escrever um texto diferente, talvez inovador para o dia de Finados. Todos os anos, seu chefe de redação sempre lhe confiava o espaço do jornal destinado a essa efemeride. Mas o que poderia fazer?

Deu bom dia à secretária, à moça do café, a seu Antônio entregador de encomendas, mas todos pareciam tão ocupados que não o responderam. Dirigiu-se à terceira sala do corredor e achou estranho a porta estar aberta, pelo menos não precisou nem tirar a chave do bolso.

Mais uma coisa chamou a sua atenção: onde estariam as coisas de sua mesa? Suas pastas? Seus arquivos? Talvez Dalva os tivesse tirado para fazer a limpeza da sala. Não importa, faria seu trabalho assim mesmo.

As horas se passavam, os dedos cansavam, mas com afeição ao seu trabalho, o jornalista, por fim, terminou. Deixou o texto na mesa do editor do jornal para ser revisado e publicado na edição de amanhã.

Achou estranho ninguém o ter procurado em sua sala durante todo  o turno, o que normalmente nunca acontecia, no entanto, deixou sua sala, cruzou o corredor e saiu de fininho - não queria que Geraldo reparasse que ele já estava de saída, afinal, não seria a primeira nem a sétima vez que seu colega de trabalho se aproveitaria, segundo ele, de sua boa vontade, ainda por cima, seu Geraldo Pulmão Podre tinha o péssimo hábito de fumar dentro do carro e  nem para jogar as piubas no lixo, sempre ficavam no assoalho do veículo.

Ventava muito, o jornalista mais uma vez acordou para fechar a janela do quarto e barrar todo aquele frio. Mais alguns goles de café forte e sem açúcar. Como era dia de Finados não foi à redação e sentou no sofá cinza da casa sem muito requinte onde morava sozinho. Pegou o jornal do dia para ver as notícias, e mais, para ver o texto feito por ele no dia anterior.

Que estranho. Passava as páginas, mas nem sinal do texto. Folheou de trás para frente, de frente para trás e nem sinal. Abriu numa página aleatória. Viu uma pequena nota com sua foto. Resolveu ler. O jornal da Manhã havia publicado uma homenagem ao grande jornalista que muito contribuiu para a empresa e já não estava mais entre nós.

Por: Arthur Rocha.

sábado, 2 de outubro de 2010

Observação intervalar

Estou sempre observando e criando mentalmente histórias sobre as pessoas. Elas, ou fazem cara de mal para ninguém lhes dirigir a palavra ou fazem cara de modelo para aparentar indiferença e beleza. De longe, imagino os dramas de cada um e vou tecendo histórias.

Estou em intervalo de aula e resolvi permanecer em sala, até a chegada do professor. Tem um grupo de amigas sentadas, bem à minha frente, que conversam e riem sobre seus problemas familiares. Camila, fala de sua prima, que tem problemas de dicção e troca o “r” pelo “s”, dando alguns exemplos de situações e ri ao lembrar-se de tanta coisa que já presenciou. Camila é uma garota alegre e gosta de conversar, nasceu com uma doença que causou má formação de membros superiores e inferiores, causando-lhes dificuldades para andar e manusear objetos. Mesmo assim, ela parece superar esse problema com certa facilidade, mas me vem à mente o quanto foi difícil para ela se acostumar com a idéia de ser “diferente”, como ela se adaptou às situações. Não deve ter sido nada fácil nem engraçado quanto à conversa que ela tem com as amigas.

Em outro canto da sala, Raquel, Felipe e Luciana discutem sobre o preconceito que Raquel está enfrentando por ser lésbica. Ela diz que está difícil aguentar a rejeição das pessoas, das quais ela achava que mais teria apoio, como amigos e familiares. Os dois colegas tentam consolá-la com um: “calma, isso vai passar”, e ela firmemente pergunta “quando?”. Está triste e afirma que as pessoas não entendem e não estão preparadas para aceitar a felicidade dos outros, como eles são. Os amigos concordam e tentam erguer sua autoestima, com brincadeiras e lembranças de acontecimentos passados e engraçados. De certa forma, ela sente-se confortada por eles.

O grupo de amigas em minha frente continua empolgado na conversa. Agora, mais uma juntou-se a elas, foi Carol quem chegou e está falando sobre o professor de história que, frequentemente, sorteia brindes em suas aulas e ela nunca tem a sorte de ganhar nada, diz que seu “santo é fraco”. Já Manu, fala que sempre teve muita sorte e desde pequena ganha quase tudo que concorre. Isso foi um gancho para os assuntos da infância delas e a mesma Manu, tão cheia de sorte, começa, tristemente, a falar que sempre foi muito sozinha, nunca tinha ninguém para brincar, já que sua única companhia era seu irmão mais velho, que tinha muitos amigos e mal vivia em casa, e sua mãe que trabalhava praticamente o dia todo, além de controlar seus horários. Carol fala que até pode não ter tanta sorte com os brindes, mas é feliz com a infância que teve, gozando de certa liberdade e muitas amigas em sua casa para brincar. Começa a lembrar das várias brincadeiras de criança e isso faz Manu refletir sobre sua sorte: “será maior ou menor que a da minha amiga? Para que ganhei tantos brinquedos se nunca tinha ninguém para partilhar suas alegrias? É tudo muito complicado”, prefere não pensar muito nisso e mudar de assunto.

Felipe e Luciana, antes em um clima meio tenso, agora riem e escutam a amiga Raquel falar sobre sua paixão, sua felicidade e a sorte de estar namorando há 10 meses com a pessoa que ela mais ama e que tanto admira, que tanto lhe dar forças para enfrentar o que está passando. Os amigos sentem-se felizes por ela e a abraçam.

No grupo, Érica está em dúvida e enlouquecendo com a escolha da roupa que irá usar na festa de sua cunhada e diz estar desesperada, pois não consegue achar um sapato que combine com seu vestido e já não sabe mais o que fazer. As amigas tentam ajudá-la, dando-lhes sugestões, mas ela não se conforma com nenhuma e verifica que, além de estar em dúvida com a escolha do sapato, nem sabe mais se realmente irá usar aquele vestido que planejava. Cessam-se as conversas. O professor chegou e hoje não tem sorteio, é chocolate para todo mundo da sala.

Afinal, quem tem mais sorte? Quem enfrenta o maior drama? Quem é mais feliz? Realmente tem dias que a paisagem de fora parece ser melhor. Num mundo onde tantos prezam falar para se expressar, há aqueles que observam para aprender e entender, imaginando a vida de quem passa sem pretensão de saber a “verdade”. Quem observa o outro, acaba aprendendo muito de si.


Por: André Araújo

domingo, 26 de setembro de 2010

Favor de político



Dona Cláudia acordou alvoroçada. Hoje era o último dia para retirar a segunda via do seu título de eleitor que havia perdido há uns três ou sete meses – tinha a lembrança “meia” fraca, como ela mesma costumava dizer – não se lembra nem ao certo como foi que perdeu, muito menos onde foi parar o tal do documento.

Fez o café do marido que saiu para trabalhar e colocou-se a gritar pelo nome dos três meninos frutos do seu casamento anterior: Antônio Carlos! Carlos Antônio! Antônio! Você deve estar pensando que o nome do pai dessas três crianças por sorte deveria ser Antônio. Muito bem, de certo que o leitor acertou. O sobrenome da família pouco importa, num país como o Brasil só gente importante é conhecida por sobrenome, e essa não é uma família de músicos, artistas, políticos, nem de médico formado com diploma.

Pegou o rumo, o que inclui 25 minutos na parada de ônibus e mais 50 para chegar ao cartório eleitoral. Agora sim, pensou ela. Estava no lugar certo. Dera uma viagem no dia anterior em vão, já que no cartório próximo a sua casa não estavam tirando segunda via, apenas fazendo reimpressão de título.

A fila era enorme, mas para quem já está acostumada a esperar na fila do posto de saúde para consultar o caçula com o pediatra; na do sopão em frente ao centro espírita que toda sexta-feira tem distribuição de janta; e para receber os medicamentos da mãe que tem diabetes – isso quando há os remédios - é besteira.

Tratou de fazer amizade com os que também aguardavam chegar sua vez. Em fila é sempre assim, todo mundo acaba se conhecendo, sabe como é... espaço é pouco, a gente é muita, é impossível não pisar no pé de ninguém sem querer, pedir desculpas e dali sair o maior papo – sempre se acha um conhecido em comum.

Eis que chega a vez de Dona Claúdia que fica angustiada ao perceber que não trouxera comprovante algum de que votara na eleição passada. Sem esse comprovante não é possível tirar sua segunda via, foi mais ou menos o que disse a mulher que a atendeu, só que através de grunhidos que mal dava para entender o que falava.
O que seria de Dona Cláudia não fosse o candidato a deputado que se disponibilizou prontamente a buscar o comprovante da senhora na casa dela? Só assim conseguiu sua segunda via do documento. Aliviada, viu o homem estender-lhe a mão, achou que seria um cumprimento, quando notou um papel pequeno que ele segurava. Entregou-lhe. Agora já tinha em quem votar no dia 3 de Outubro para deputado estadual.

Por: Arthur Rocha.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Enquanto isso, no restaurante...

Estômago: - Cara, manera aê com o que vai comer. Essa semana foi foda. Manda uns vegetais pra dentro, porque as coisas no intestino estão feias.

PRIMEIRO PRATO (800G): ARROZ, FEIJOADA, CUPIM, PICANHA, CORAÇÃO DE GALINHA E TOMATE.

Estômago: - Tá de sacanagem, né? Duas rodelas de tomate? E essas carnes mal-passadas? Pelo menos mastiga direito essa porra.

SEGUNDO PRATO (550G): ARROZ, COSTELA, PICANHA, ALCATRA E SALADA DE MAIONESE.

Estômago: - Chega de carne, cara, não cabe mais nada aqui. Lembra daquela úlcera? Tá faltando pouco pra cicatriz abrir. Tu quer fuder com tudo, né ? Manda um pouco de água.

BEBIDA 1: COCA-COLA 600ML

Estômago: - Seu imbecil, eu falei um pouco de água.

Eu: - Ué, Coca-Cola tem água. E ainda ajuda a dissolver a carne.

Estômago: - Coca-cola tem o inferno dentro, porra. Tá fudendo aqui com o suco-gástrico.

Esposa: - Amor, com quem você tá falando?

Eu: - Nada, não, tô pensando alto.

SOBREMESA: 300 gr DE PUDIM.

Estômago: - Eita porra, cabe mais não. Tá ouvindo?

Intestino: - O que tá acontecendo aí em cima? Que zona é essa?

Estômago: - O cara tá empurrando comida. Agora veio pudim pra dentro. Não sei mais o que fazer.

Intestino: - Vamos mandar direto.

Estômago: - O quê?

Intestino: - É isso aí, operação descarga.

Estômago: - Cara, o cérebro não vai gostar.

Intestino: - Foda-se o cérebro, ele nunca veio aqui em baixo pra saber como são as coisas.

Estômago: - Vamos dar mais uma chance pra ele. Eu acho que ele não vai mais…

BEBIDA 2: CAFEZINHO.

Estômago: - Filho de uma puta. Vou explodir.

Intestino: - Operação descarga iniciando. Anda, libera o canal do duodeno que eu já tô conversando com o esfíncter.

Coração: - Que que tá havendo aí embaixo? A adrenalina tá aumentando muito.
Intestino: - Operação descarga.

Coração: - Quem autorizou isso? O cérebro não me mandou nada.

Estômago: - Foda-se aquela geléia! Nem músculo tem.

Intestino: - É isso aê, foda-se essa geléia inútil. Vinte segundos pra abrir o esfíncter anal. Quero ver o ânus arder com esse suco gástrico.

Esposa: - Amor, você tá passando bem? Tá suando todo, aonde você vai?

Eu: - Preciso ir ao banheiro, urgente. Paga a conta e me espera no carro.

Esposa: - O que você comeu?

Eu: - Não sei. Acho que foi o tomate

terça-feira, 7 de setembro de 2010

#RT

Login, senha. Pronto. Já estava conectado aos mais de 500 followers no twitter. O dia parecia tão tedioso que nada lhe chamava atenção. Ainda ressentido pelo fim de seu último relacionamento, o internauta já havia decidido partir para outra. Mas, cadê a outra?

Foi então que @carolms sua amiga do curso de inglês deu RT no tweet de alguém que lhe chamou atenção. A foto era bonita, resolveu segui-la. E não deu outra, foi seguido de volta. Meio receoso de início, mas resolveu twittar com a nova follower. Depois de alguns twitts, já estavam mandando MSN e link do orkut por DM.

Pode parecer brincadeira, mas tudo isso ocorreu em velocidade de Internet nesse mundo überglobalizado. 1GB/s mantinha os dois estranhos interligados pelas redes sociais. Emoticons e winks descontraiam o papo, e os dois não paravam de trocar ideias. Já estavam compartilhando pastas com músicas e fotos compactadas para economizar KBs.

O internauta já nem lembrava mais do seu relacionamento virtual passado. Amor de 11 dias e 512Mb da memória RAM. Até durou muito, é o que dizem a maioria que convergem na ideia de que amor de Internet foi criado para não durar.

“te amo”, escreveu o internauta. Como é possível amar alguém que se conheceu há 8 horas?! Fizeram vídeo conferência e já podiam ver em tempo real um ao outro pela webcam. O que mais poderiam querer num relacionamento maduro, adulto, estável e sério de 8h?

Subnick no MSN e status do orkut com declarações de amor. Ele fazia o tipo romântico. Ela se divertia mandando beijinhos e abraços entre os avatares deles no buddy poke. Ambos mudaram relacionamento para “namorando” no perfil do Orkut. Até lastFM o internauta criou depois que sua parceira o convidou para participar de mais esta rede social da World Wide Web. Agora eles ouviam juntos a música tema do amor deles.

Passaram o resto do dia em love. Mesmo de madrugada, o amor não os deixava ficar offline ou sequer desligar o PC. Foram 18 horas de amor através da tela de LCD preta 17’’. Será que havia encontrado o amor da sua vida? Será que superaria os 11 dias de seu namoro mais duradouro? Perguntas como essa embalavam o nervosismo que o fazia ficar de pernas bambas ao teclar com a namorada.

Lá pelas tantas, a internauta fica off e não respondia aos chamados do amado. O que poderia ter acontecido? O internauta não parava de twittar a saudade que sentia e que estava desesperado. Nem lhe passava pela cabeça que a Internet da namorada havia caído e o servidor estava fora do ar.

Nem chegaram a comemorar o primeiro dia de namoro juntos, porque a internauta amada se desconectara da rede faltando duas horas para completar um dia inteiro de romance. Sem falar nos 23% restantes do download do vídeo da internauta com suas duas amigas dançando uma versão bizarra de “Single Ladies” que o tristonho internauta jamais assistiria por completo.

Ficou depressivo por cerca de 15 minutos quando, decidido, resolveu virar a página: criou um fake e foi beber todas numa boate virtual fake, com novos amigos fakes, música fake, comida fake. Quem sabe não encontraria uma fake estilosa dando mole por lá?

Por: Arthur Rocha

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Afetividade contemporânea: um olhar sobre os relacionamentos familiares e amorosos



A configuração familiar, com o clássico modelo homem e mulher que se casam, tem filhos e ficam juntos até que a morte os separe, vem modificando-se no decorrer dos tempos com o surgimento das novas formas de agrupamento familiar, onde se tornam cada vez mais frequentes os divórcios, recasamentos, mães solteiras, reprodução independente e as uniões homossexuais. A figura do homem como chefe de família, responsável pelo sustento financeiro, e a da mulher como educadora dos filhos e organizadora do lar vem sendo reconfigurada e as funções estão mais compartilhadas.

Somado a todas essas mudanças, as características sociais como o consumismo, a busca da felicidade imediata e o individualismo vêm transformando, de forma radical, as relações afetivas não só entre pais e filhos como também entre quaisquer indivíduos da sociedade contemporânea. Hoje, é comum encontrar pessoas com seus fones de ouvido, notebooks, celulares etc., exercendo uma relação que até pouco tempo atrás era tida como uma forma alternativa de manter comunicação entre os indivíduos e que agora se tornou primordial.

O surgimento da internet e de novos meios de comunicação, ao mesmo tempo em que facilitou a vida de muita gente, também foi o responsável pelas novas formas de relacionamentos: as pessoas estão mais isoladas em um “mundo particular” e compartilham suas emoções por meios virtuais. As pessoas não conhecem bem umas as outras mesmo sendo, muitas vezes, tão próximas, e os relacionamentos estão mais efêmeros e supérfluos.

No contexto familiar, o filho passa a ocupar o papel de aluno, uma vez que os pais destacam, exageradamente, a vida escolar das crianças como um elemento mediador de suas relações, e os pais tornaram-se meros financiadores, pois os filhos os enxergam apenas como os responsáveis pelo seu sustento.

A convivência com os outros, a construção das virtudes e da moral familiar, a transmissão de ensinamentos, histórias, princípios e tradições vêm perdendo terreno, o que, segundo alguns estudiosos, trata-se do declínio das relações sociais. O desafio que nos resta, em um momento de transição e crise que estamos passando, é refletir a respeito destes fenômenos e buscar novas maneiras de encarar antigas tradições.



Por: André Araújo

sábado, 28 de agosto de 2010

Parascavedecatriafobia

 
Também chamada de frigatriscaidecafobia, essa palavra de 23 letras se refere ao pavor das pessoas pela sexta-feira 13. A superstição é, na verdade, uma combinação de dois medos separados: o medo do número 13, chamado triskaidekafobia, e o medo de sextas-feiras.

Para a origem da sexta-feira 13 como um dia de azar há várias versões. A mais forte delas seria o fato de Jesus Cristo ter sido crucificado em uma sexta-feira e, na sua última ceia, haver 13 pessoas à mesa: ele e os 12 apóstolos, inclusive Judas. 
 
Outra versão, proveniente da mitologia nórdica, diz que a deusa do amor e da beleza era Friga (que deu origem à palavra friadagr = Friday = sexta-feira em inglês). Quando as tribos nórdicas e alemãs se converteram ao cristianis-mo, a lenda transformou Friga em bruxa. Como vingança, ela passou a se reunir todas as sextas com outras 11 bruxas e o demônio. Os 13 ficavam rogando pragas aos humanos.

O Código de Hamurabi, criado 1700 a.C. teve a cláusula 13 excluída por superstições Alguns estu-diosos relatam que o grande dilúvio aconteceu numa sexta-feira.

Coincidência ou não: em 13 de Dezembro de 1968 o governo militar do Brasil decreta o AI-5; o pior incêndio de florestas na história da Austrália ocorreu em uma sexta-feira 13 de 1939; a queda do avião que levava a equipe uruguaia de rúgbi nos Andes foi em uma sexta-feira 13 de 1972.

Nos Estados Unidos cerca de 8% da população sofre com a parascavedecatria-fobia.

Isso tudo pode parecer apenas superstição, mas os prejuízos são bem reais: segundo estudos de um instituto da Carolina do Norte (EUA), a data gera no país prejuízos que vão de 800 a US$ 900 milhões, com pessoas desistindo de viajar de avião, de se casar, realizar eventos, trocar de carro, vender imóveis, fechar negócios.

Por: Arthur Rocha

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

De volta


Antes de tudo ;p postando aqui de volta, uns três meses depois de meu último post. Confesso que sentia falta de escrever aqui, mas faltava o estímulo de voltar (acho que era isso). De qualquer forma, retornando com algo que escrevi hoje mesmo e acabei de postar. Espero que eu não suma de novo, farei o possível pra atualizar o blog.


E algo importa?

E não importa onde ela comprou aquelas roupas, a etiqueta já se foi mesmo.
E não importa que alguém na rua pergunte onde foi, ninguém fala sempre a verdade mesmo.
E não importa se a vizinha tem um igual, nunca saem juntas mesmo.
E não importa que tenha que dividir em dez no cartão, a mãe dela nunca paga em dia mesmo.
E não importa quantos olhem torto pelo rabo do olho, ela gosta de aparecer mesmo.
E não importa que tenha que chegar de ônibus, pode descer uma parada antes e vir andando que dá no mesmo.
E não importa se parecer que veio a pé, muda de assunto que é melhor mesmo.
E não importa se deu uma de metida pra entrar naquela festa, quem fica na sua nunca ganha nada mesmo.
E não importa que perguntem do namorado, ela não queria ficar com ele mesmo.
E não importa quantos dêem em cima dela a noite toda, não veio ali pra curtição mesmo.
E não importa o quão longe ele esteja, seu alvo já esta na mira mesmo.
E não importa que alguém ache estranho, senta na primeira fila de perna cruzada mesmo.
E não importa o quanto ele já tenha olhado, fechar os botões do vestido? Não mesmo.
E não importa que tenham-na visto encostando o corpo nele, todas estavam com ciúmes mesmo.
E não importa se ele não quis gastar com motel de luxo, o luxo de verdade vai vir depois mesmo.
E não importa que tenha que ter ido aos jornais, celebridade também faz escândalo mesmo.
E não importa que a barriga já tenha crescido, ele foi obrigado a fazer o DNA mesmo.
E não importa que tenham passado três anos brigando na justiça, a pensão ficou acertada em onze mil mesmo.
E não importa que chamem Kátia de vagabunda ou golpista, mãe alcoólatra, pai viciado em jogo, encostar barriga no tanque, caixa de supermercado? Passado que ela não quer lembrar mesmo.

Por: Arthur Rocha.
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